O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que não existem mensagens de sua autoria nas informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. A declaração faz parte de uma defesa de 44 páginas entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, antes do julgamento que decidirá se a investigação contra o ministro será aberta ou arquivada.
A sessão está marcada para as 10h desta terça-feira, 15. O caso envolve conversas atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro, dono do Banco Master. O ministro também classificou as suspeitas como uma farsa montada e uma vingança de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Moraes dedicou cerca de dez páginas da defesa às mensagens. Segundo ele, não há nenhuma mensagem ou bloco de notas com texto que possa ser atribuído a ele. O ministro sustentou ainda que os registros não comprovam consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento antecipado de operação policial.
A defesa questiona a validade do relatório produzido pela Polícia Federal sob relatoria de André Mendonça. Moraes argumentou que a investigação seria ilegal por ter sido determinada sem pedido da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do plenário do STF. Também afirmou que o relatório contém ilações sem comprovação, desvio de finalidade e recortes de fragmentos.
O ministro contestou, ainda, a forma como os dados do celular de Vorcaro foram tratados. Mendonça informou à presidência do Supremo que mantém em seu gabinete uma cópia de segurança dos arquivos, recebida da própria Polícia Federal em março. O arquivo original, segundo a informação apresentada, continua sob custódia da corporação em Brasília.
Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes também requisitaram acesso aos dados brutos, encaminhados pela Polícia Federal aos gabinetes. Para Moraes, a quebra da cadeia de custódia permitiria a inclusão de arquivos falsos e mensagens em blocos de notas, além do acesso por terceiros.
Operação e prisão de Vorcaro
A defesa também rebateu a hipótese de que Moraes teria vazado informações ou atuado para favorecer Vorcaro. O ministro citou o resultado da Operação Compliance e afirmou que o banqueiro foi preso durante o embarque na alfândega do aeroporto André Franco Montoro/Cumbica-SP, com passaporte verdadeiro e o próprio celular.
Vorcaro havia questionado Moraes sobre a possibilidade de deixar o País um dia antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O ministro afirmou, porém, que a investigação não encontrou indícios de que ele soubesse antecipadamente da decisão da Justiça Federal de 1ª instância, tivesse procurado autoridades ou vazado informações.
Moraes também usou o caso do perito criminal João Cláudio Nabas. A Polícia Federal informou, em maio, que Nabas teria produzido arquivos chamados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de citações aos ministros encontradas no celular de Vorcaro. O perito foi alvo de busca e apreensão por suspeita de violação de sigilo funcional e acabou afastado das funções.
Na avaliação de Moraes, André Mendonça já tinha conhecimento formal da menção ao seu nome desde a operação contra Nabas, mas teria aguardado o período político-eleitoral para conduzir a apuração. A defesa relacionou esse momento à véspera dos comícios de 7/9 e mencionou possível favorecimento a grupo político nas eleições de outubro de 2026.








