BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na última quinta-feira (17), que o Bolsa Família terá reajuste de 15%. No mesmo dia, afirmou que pretende oferecer canetas emagrecedoras gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante prescrição médica, para pessoas em situação de obesidade.
As medidas foram apresentadas na reta final de uma semana em que pesquisas eleitorais apontaram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. A campanha do presidente também passou a reforçar a promessa de endurecer a regulação das casas de apostas online, conhecidas como bets.
Regulação das apostas
Durante ato de campanha em Guarulhos (SP), nesta sexta-feira (18), Lula voltou a criticar as bets e disse que quer acabar com as casas de apostas online. Uma Medida Provisória deve ser anunciada e assinada na próxima quarta-feira (23), com regras mais rígidas para os cassinos e flexibilização das apostas.
A proposta atingirá o funcionamento e os ganhos das empresas do setor. As apostas também foram associadas a preocupações com vício e endividamento das famílias.
Reação ao Bolsa Família
O reajuste de 15% provocou reação na campanha de Flávio Bolsonaro, que chegou a avaliar a possibilidade de questionar a medida na Justiça sob a alegação de que seria uma “ação eleitoreira”. Depois, o candidato recuou e afirmou que, se for eleito, fará outro reajuste no programa social, sem indicar um valor.
A resposta foi interpretada pela campanha de Lula como uma oportunidade para levar o adversário ao debate sobre propostas e projetos, em vez de concentrar a disputa em ataques pessoais.
A oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS pode enfrentar resistência de setores do próprio governo contrários ao uso do medicamento. O anúncio ocorreu em uma semana na qual o Supremo Tribunal Federal (STF) ocupou espaço central no noticiário, enquanto a eleição deixou de ser o principal foco das discussões no país.
Para a campanha petista, o desafio nas próximas duas semanas será influenciar a corrida presidencial de 2026, marcada, segundo a avaliação apresentada, pela baixa politização dos debates e pelos ataques pessoais.









