CANOAS — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou rapidez na liberação de recursos para obras de recuperação no Rio Grande do Sul e defendeu que governos concluam projetos iniciados antes do fim do mandato. A declaração foi feita em uma reunião sobre o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos.
Lula afirmou que a interrupção de obras por sucessores é comum no país e disse ser um “eterno cobrador”. Para ele, os projetos precisam ser concluídos na mesma gestão em que começam, evitando que sejam paralisados por presidentes, governadores ou prefeitos que assumam depois.
O presidente também associou a demora na execução a entraves administrativos e ao receio de servidores de assinar a liberação de obras e recursos. Ele citou a falta de dinheiro, o Tribunal de Contas da União (TCU), a Caixa e denúncias contra projetos como fatores que dificultam as decisões na administração pública.
“Todo mundo tem medo com o denuncismo que tem”, declarou Lula. Segundo o presidente, o governo estabeleceu um “padrão gaúcho” para a atuação federal em desastres naturais a partir dos repasses destinados ao Estado após as enchentes em 2024.
Cobrança sobre repasses
Na sexta-feira, 11, Lula demonstrou irritação durante a reunião e questionou a demora na liberação dos recursos para a recuperação das áreas atingidas pelas fortes chuvas. Após uma fala da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que a população precisa receber explicações sobre o ritmo dos repasses.
O presidente mencionou o anúncio de R$ 6,5 bilhões para atender mais rapidamente os problemas provocados pelas chuvas e comparou o valor com os R$ 1,5 bilhão liberados dois anos depois. Ele questionou se a responsabilidade pela demora era da Caixa, do governo federal, do Ministério das Cidades, do governo do Estado ou do prefeito.
Lula também relatou casos em que R$ 2 bilhões ou R$ 3 bilhões foram depositados para determinadas obras, mas os projetos não avançaram após três anos. Nesses episódios, citou como justificativa a falta de projeto e afirmou que, depois do depósito, o governo não consegue fazer mais nada enquanto aguarda a utilização do dinheiro.
A cobrança ocorre em um momento de queda da popularidade do presidente. Pesquisas de intenção de voto citadas no levantamento mostram disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece à frente em algumas simulações de segundo turno.









