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Flávio Bolsonaro negociou aporte de US$ 24 milhões para filme sobre Jair

Mensagens e documentos indicam pagamentos de pelo menos US$ 10,6 milhões para a produção de “Dark Horse”, ligada à família Bolsonaro.

Mensagens e documentos indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o repasse de 24 milhões de dólares para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O valor equivalia, na época, a cerca de R$ 134 milhões.

Os registros apontam que pelo menos 10,6 milhões de dólares, cerca de R$ 61 milhões considerando as cotações dos períodos das transferências, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Não há, nas mensagens analisadas, evidências de que os outros oito pagamentos previstos tenham sido realizados.

Intermediários e estrutura financeira

A negociação envolveu também Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, além do empresário Thiago Miranda e de Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como principal operador financeiro de Vorcaro. Os documentos indicam que parte dos recursos foi transferida pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Um comprovante registra uma transferência internacional de 2 milhões de dólares, em 14 de fevereiro de 2025, para o fundo identificado nas mensagens como ligado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece como remetente. O Grupo Entre negou vínculo societário, de controle ou de governança com Vorcaro.

Documentos societários apontam Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, como agente legal do fundo. Altieris Santana também aparece nos registros relacionados à estrutura da empresa.

As conversas indicam que o cronograma de pagamentos foi acompanhado diretamente por Vorcaro. Em janeiro de 2025, Zettel mencionou um plano com dez parcelas de 2,5 milhões de dólares. Em agosto, uma tabela apontou 14 parcelas, sendo 12 de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões de dólares. Outro documento indicou que 10,6 milhões de dólares haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9 milhões de dólares.

Cobranças e respostas

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou a Vorcaro uma mensagem pedindo ajuda. Um dia depois, o banqueiro foi preso enquanto tentava deixar o país. Em 18 de novembro, o Banco Central liquidou o Banco Master. A instituição havia sido associada a um esquema de fraude que, segundo as informações apresentadas, gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.

Em setembro, Flávio cobrou de Vorcaro a regularização dos pagamentos e alertou para possíveis problemas com profissionais envolvidos na produção. Em outubro, afirmou que as filmagens haviam chegado ao limite e pediu que o banqueiro avisasse caso não pudesse manter o apoio financeiro.

Questionado sobre o financiamento, Flávio respondeu que a informação era mentira e deixou o local onde concedia entrevista próximo ao Supremo Tribunal Federal. A defesa de Vorcaro não respondeu. Eduardo Bolsonaro também não retornou aos questionamentos.

A defesa de Mario Frias confirmou os contatos com Vorcaro, mas afirmou que as mensagens refletiam uma relação entre o idealizador do projeto e um potencial apoiador privado. Segundo o advogado, Frias não atuou como articulador político ou financeiro nem usou o mandato para lobby privado ou favorecimento empresarial.

A defesa também declarou que, naquele período, Vorcaro era conhecido como empresário do mercado financeiro e não havia informação pública sobre irregularidades financeiras atribuídas a ele. O advogado disse ainda que Frias participou do desenvolvimento criativo e institucional do projeto.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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