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Educação paulista enfrenta queda no Ideb, menos matrículas e críticas à gestão

Indicadores nacionais e relatos de professores divergem da avaliação da Secretaria da Educação sobre os resultados da rede estadual.

Gestão Tarcísio acumula queda no Ideb, evasão recorde e desgaste com professores

A rede estadual de São Paulo registrou queda na posição do Ensino Médio no Ideb 2025, redução de matrículas e críticas de professores e entidades sindicais a medidas adotadas pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) classifica os resultados como avanço consistente e afirma que houve redução do abandono escolar e aumento da frequência.

No Ensino Médio regular, a rede paulista obteve média 4,3 e ficou na 10ª colocação nacional, abaixo da 8ª posição alcançada em 2023. Considerando o Ensino Médio integrado à educação profissional, o índice chegou a 4,5, com o estado em 8º lugar entre as unidades da Federação. Os resultados continuam abaixo dos patamares registrados em 2019.

A Seduc-SP afirma que os anos iniciais do Ensino Fundamental tiveram o melhor desempenho desde 2019, com o estado em quinto lugar no país. A pasta também informa frequência escolar de 91,1% em 2025 e diz que a taxa de abandono caiu para 3,5%. Segundo a secretaria, ações de busca ativa e acompanhamento de frequência levaram cerca de 300 mil alunos a mais para as salas de aula diariamente.

Professores ouvidos para a avaliação criticam a prioridade dada a metas, testes padronizados e plataformas digitais. Um docente da rede estadual há 30 anos, no Grajaú, afirmou: “O dia a dia vira quase uma fábrica de produzir atividades digitais e o processo de aprendizagem é ignorado.”

Matrículas e ensino integral

Dados do Censo Escolar mostram que a rede estadual perdeu 256,9 mil estudantes do Ensino Médio entre 2024 e 2025, uma retração de 17%. A queda foi de 6,6% na média das redes estaduais do país. Por série, o recuo foi de 8,3% no 1º ano, 18,5% no 2º ano e 25% no 3º ano.

Professora Bebel, presidenta licenciada do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e deputada estadual, relaciona a redução à expansão do Programa Ensino Integral (PEI), à diminuição de turmas noturnas e à retração da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela também aponta a falta de bolsas de permanência para estudantes que precisam trabalhar.

Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), afirma que o PEI contribuiu para reduzir o ensino noturno e a EJA. Ele também cita a transferência de estudantes com 18 anos ou mais para a EJA, inclusive em modalidades a distância, o que alteraria o público considerado nas avaliações oficiais.

Escolas cívico-militares e PPPs

O Programa de Escolas Cívico-Militares alcança 100 unidades em 88 municípios paulistas. Levantamento baseado em dados oficiais apontou que 74 dessas escolas já tinham desempenho no Ideb acima da média da rede estadual antes da adesão ao modelo.

Em fevereiro, a 13ª Vara de Fazenda Pública da Capital suspendeu, por liminar, trechos do regimento do programa em ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Defensoria Pública. A decisão citou o potencial discriminatório de normas sobre vestimenta, corte de cabelo e comportamento contra estudantes negros e a população LGBT+. Também proibiu policiais militares de ministrar aulas ou exercer funções disciplinares no lugar de professores.

A Seduc-SP diz que a gestão pedagógica e administrativa continua sob responsabilidade dos profissionais da educação e que os Conselhos de Escola preservam sua autonomia. A secretaria afirma ainda ter atualizado as diretrizes para reforçar direitos fundamentais e impedir discriminação.

Na infraestrutura, a Seduc-SP e a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) avançaram no projeto de Parceria Público-Privada (PPP) para construir e administrar 33 escolas em 29 municípios. A secretaria afirma que a concessionária cuidará apenas da administração predial e da manutenção física.

Plataformas, salários e inclusão

Aplicativos como Leia, Matific e Elefante Letrado integram a rotina da rede. A Seduc-SP informa que 100% das escolas têm conexão com velocidade mínima de 100 Mbps e que foram realizadas formações tecnológicas para 13,9 mil profissionais em 2026.

Pesquisa da Fundacentro com entidades de saúde e educação apontou que 97,6% dos profissionais entrevistados associam o adoecimento mental e físico às exigências do trabalho digitalizado. A Repu afirma que não identificou relação entre o uso das plataformas e a melhora do desempenho dos estudantes.

Na política salarial, a secretaria diz que paga o piso nacional do magistério por meio de abono complementar. Também informa que 70,6% das horas/aula são ministradas por professores efetivos e que 17,1 mil aprovados no concurso de 2023 foram nomeados. Outro concurso foi autorizado para 5 mil vagas, com ingresso em 2028.

Professora Bebel critica a manutenção do abono e a presença de temporários da Categoria O. Segundo ela, há 146 mil cargos vagos e 140 mil aprovados aguardando convocação. A Seduc-SP afirma que a avaliação de desempenho tem caráter diagnóstico e formativo, com oferta de suporte e capacitação pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape).

No atendimento inclusivo, professores e a deputada relatam dificuldades para acompanhar estudantes neurodivergentes e com deficiência. A Seduc-SP informa que a rede possui 24.231 professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e 25.648 profissionais de apoio escolar. A previsão é de ingresso de mais 21 mil profissionais de apoio no segundo semestre de 2026.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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