FORTALEZA — Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), candidatos ao Senado pelo Ceará, defenderam a instalação de data centers no estado e apresentaram propostas para emendas parlamentares, geração de empregos, combate às facções criminosas e violência contra a mulher. Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União) foram convidados, mas não participaram do debate realizado nesta segunda-feira (21).
O encontro teve seis temas definidos previamente: data centers e recursos naturais; emendas parlamentares; trabalho e emprego; combate às facções criminosas; relação entre os Poderes; e violência contra a mulher. Os participantes tiveram 15 minutos de fala para administrar durante a discussão, com intervenções de até 1 minuto e 30 segundos. Ao final, cada candidato teve um minuto para as considerações finais.
Data centers e emendas
Cid Gomes destacou as oportunidades de emprego associadas à chegada de equipamentos tecnológicos ao Ceará, incluindo o Data Center do TikTok. Ele citou o Porto do Pecem, a rede de fibra ótica, a primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Brasil e a produção de energias renováveis. Também mencionou as pessoas que já trabalham na construção do equipamento.
Luizianne Lins afirmou ser favorável à instalação de grandes estruturas de infraestrutura digital. Ela lembrou a aprovação, durante sua gestão na Prefeitura de Fortaleza, de regras para atividades de parques tecnológicos e citou sua atuação nas discussões sobre soberania digital e tecnológica no Congresso.
Sobre as emendas parlamentares, Luizianne defendeu que metade dos recursos seja destinada à saúde pública. Para ela, o dinheiro deve priorizar regiões com maior dificuldade de acesso a investimentos, além de áreas como educação e agricultura familiar.
Cid disse apoiar a participação dos parlamentares na indicação de recursos do Orçamento da União, mas defendeu maior parcimônia e preferência do Poder Executivo nesse processo. O candidato também propôs o envio de emendas a pequenas cidades e mais fiscalização sobre a aplicação dos recursos.
Trabalho, emprego e segurança
Os dois candidatos citaram ações dos governos Lula (PT) e Elmano de Freitas (PT). Cid afirmou que educação e trabalho são prioridades e defendeu investimentos em infraestrutura para ampliar a capacidade de competição do país. Entre as obras mencionadas, está a ferrovia Transnordestina. Ele também disse que o Ceará produz três vezes mais energia do que consome internamente.
Luizianne afirmou que Fortaleza gerou 180 mil empregos entre os anos de 2005 e 2010, durante sua gestão como prefeita. Ela citou medidas de acesso ao crédito, aumento de obras públicas e investimentos no turismo. Para o Senado, mencionou a criação do projeto Crédito Lilás, voltado ao financiamento do acesso de mulheres a crédito.
No combate às facções criminosas, os candidatos defenderam a integração entre municípios, estados e União. Luizianne propôs políticas de cultura e emprego para evitar a cooptação de jovens e a criação de um sistema único de segurança pública por meio de uma PEC.
Cid defendeu uma estratégia nacional, com a contratação de 10 mil profissionais para a inteligência policial e a ampliação do efetivo da Polícia Federal, que, segundo ele, possui atualmente 12 mil funcionários. Educação, emprego e renda também foram citados como formas de oferecer alternativas à juventude.
Durante esse bloco, os dois candidatos criticaram a ausência de Alcides Fernandes e Capitão Wagner. Luizianne afirmou que os adversários reduzem a disputa pelo governo do estado à segurança pública. Cid disse que candidatos que não participam de debates agem com demagogia ao tratar do tema.
Poderes e violência contra a mulher
Na discussão sobre Executivo, Legislativo e Judiciário, Cid defendeu que o Supremo Tribunal Federal seja fiscalizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele criticou a interferência entre os Poderes, o aumento da influência do Legislativo sobre o Orçamento e o uso de medidas provisórias pelo Executivo.
Luizianne afirmou que os Poderes devem atuar de forma harmônica e passar por controle social. Também disse ser contra o uso do poder fiscalizador do Senado para promover processos de impeachment motivados exclusivamente por razões políticas.
Sobre a violência contra a mulher, Luizianne citou políticas criadas durante sua gestão na Prefeitura de Fortaleza, como o Centro de Referência Francisca Clotilde e um programa municipal de prevenção e tratamento. Ela também mencionou sua presidência da Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher no Congresso Nacional e a aprovação da Lei Lola, que permitiu à Polícia Federal investigar crimes contra mulheres no ambiente digital.
Cid afirmou que o combate ao machismo deve começar em casa e ser tratado pelo sistema educacional desde a primeira infância. Ele também defendeu ensino fundamental em tempo integral, alfabetização na idade certa, vagas em universidades públicas para a população mais pobre e a ampliação da atenção primária na rede municipal.
Luizianne defendeu maior protagonismo das mulheres em todas as áreas e criticou a chapa adversária por não ter mulheres concorrendo aos principais cargos do Legislativo e do Executivo.








