A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) elevou a preocupação de aliados de Luiz Inácio Lula da Silva com os efeitos sobre a campanha à reeleição. Pesquisas de intenção de voto realizadas depois do agravamento do conflito indicaram avanço de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e cenário de empate técnico.
A avaliação levou o presidente do PT, Edinho Silva, a convocar reuniões de emergência com a Executiva Nacional do partido, siglas da base de apoio e centrais sindicais. O objetivo é discutir uma reação da campanha a menos de um mês do primeiro turno.
Movimentos sociais, sindicatos e partidos do campo progressista também demonstram preocupação com o ritmo das atividades eleitorais. Aliados históricos reclamam de apatia e cobram maior participação, em movimento semelhante ao observado na campanha vitoriosa de 2022.
Pressão por reação
Dentro do PT e da equipe presidencial, há críticas à demora para responder a temas considerados urgentes. Um exemplo foi uma publicação feita por Lula nas redes sociais na quarta-feira (9), quando defendeu a divulgação completa da investigação sobre o caso Master. A manifestação orientou aliados, mas ocorreu depois de dias de pressão sobre o governo.
Os aliados também não identificam se a falta de vigor está relacionada à coordenação eleitoral ou à atuação do próprio candidato. Eles lembram que, no mesmo período de 2022, Lula já havia realizado reuniões com representantes da sociedade e reunido o conselho de campanha.
A menor quantidade de encontros com a base neste ano é atribuída por um interlocutor ao fato de Lula ocupar a Presidência da República. Em 2022, quando não exercia o cargo, tinha mais disponibilidade para concentrar esforços na campanha.
Entre as reclamações estão ainda a escassez de material de campanha e o atraso na distribuição de recursos do fundo partidário. Também há críticas à resistência de Lula em ler discursos nos eventos, o que, segundo aliados, mantém o público em pé por horas, muitas vezes sob sol forte.
A participação da primeira-dama, Janja, é questionada porque, na avaliação de aliados, sua fala reduz o espaço de outras mulheres que poderiam gerar maior identificação com o público.
O encontro de Lula com os partidos da base está previsto para esta quinta-feira (10). A reunião da Executiva Nacional do PT ocorre no mesmo dia, enquanto o encontro com as centrais sindicais está previsto para sexta-feira (11). Também foram articuladas conversas com ministros do STF e parlamentares para tentar reduzir os impactos políticos do conflito.
Propostas dentro do PT
Correntes internas do PT defendem alterações na estratégia eleitoral. A Democracia Socialista avalia que o partido deve mudar a forma de apresentar o programa econômico para um eventual novo mandato de Lula.
Em carta, o grupo propõe um modelo de desenvolvimento baseado em soberania, redução das desigualdades e sustentabilidade ambiental. A corrente critica propostas de aprofundamento do neoliberalismo, cortes de direitos sociais e privatizações.
A Democracia Socialista também questiona se a esquerda e o PT conseguirão formar maioria no eleitorado sem enfrentar temas ligados às desigualdades e à política econômica.









