O senador Cid Gomes (PSB), candidato à reeleição, afirmou nesta segunda-feira (14) que sua candidatura ao Senado não tem como objetivo derrotar o irmão, Ciro Gomes (PSDB), na disputa pelo governo do Ceará. A declaração foi dada em entrevista à Verdinha FM.
Cid disse que decidiu apoiar a chapa do governador Elmano de Freitas (PT) antes de Ciro apresentar sua candidatura ao governo estadual. “Quando eu resolvi apoiar o Elmano, o Ciro nem era candidato”, afirmou.
A divisão entre os irmãos começou dentro do grupo político formado pelos Ferreira Gomes e aliados. Até 2022, Ciro integrava a aliança entre PDT e PT no Ceará, então liderado no estado pelo ex-governador Camilo Santana.
A ruptura ocorreu durante a escolha do candidato ao governo estadual para as eleições de 2022. Cid relatou que o PDT discutia quatro nomes: Evandro Leitão, Mauro Filho, Roberto Cláudio e Izolda Cela. Segundo o senador, o PT e Camilo Santana demonstraram preferência por Izolda, posição que ele considerava legítima.
Desde então, Cid e Ciro passaram a atuar em grupos políticos diferentes. Cid deixou o PDT e se filiou ao PSB. Ciro saiu do PDT e retornou ao PSDB em 2025. Nas eleições municipais de 2024, os dois apoiaram candidatos diferentes à Prefeitura de Fortaleza.
Distanciamento entre os irmãos
Durante a entrevista, Cid afirmou que a relação política com Ciro passou por cerca de cinco anos de distanciamento. Apesar das divergências, disse manter respeito e consideração pelo irmão e defendeu a separação entre a disputa política e a relação familiar.
Cid também relatou um encontro mediado por terceiros no qual teria sido chamado de “traidor”. Segundo ele, a crítica foi aceita por se tratar do irmão. O senador afirmou ainda que aconselhou Ciro a voltar a disputar a Presidência da República.
Propostas para o Supremo
Cid também comentou a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além dos pedidos de impeachment em tramitação no Senado.
O senador defendeu uma mudança estrutural no Supremo, que chamou de “refundado”. A proposta, segundo ele, não prevê a retirada de ministros dos cargos fora das hipóteses constitucionais. Cid propõe mandatos para os integrantes da Corte, em vez da permanência até a aposentadoria compulsória, e quer dar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) competência para fiscalizar a conduta dos ministros.
A discussão ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal apreendeu o celular de Vorcaro e recuperou mensagens, documentos e arquivos encaminhados ao Supremo.
O ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de relatórios da Polícia Federal. Os documentos mencionaram Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Cid afirmou que o impeachment não deve ser usado apenas por divergências políticas ou discordâncias de parlamentares com decisões judiciais. Questionado sobre Alexandre de Moraes, disse que nunca declarou ser contra ou a favor do afastamento. O senador acrescentou que defenderia o impeachment se o próprio Supremo não adotasse medidas para apurar internamente eventuais irregularidades.








