Onze deputadas progressistas de Minas Gerais tiveram emendas pagas em 39 dos 54 municípios do Vale do Jequitinhonha entre 2023 e 2026. O alcance corresponde a 72% da região e soma R$ 30,6 milhões distribuídos por sete deputadas estaduais e quatro federais.
O levantamento considerou os registros oficiais de emendas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e da Controladoria-Geral da União, além dos sistemas de proposições das duas casas legislativas. Foram contabilizados apenas valores efetivamente pagos, e não recursos indicados ou reservados.
Atuação no Legislativo
As quatro deputadas federais — Célia Xakriabá, Duda Salabert, Dandara e Ana Pimentel — apresentaram 5.117 proposições entre 2023 e 2026 e relataram 193 projetos. Juntas, destinaram R$ 3,4 milhões em 21 pagamentos ao Vale.
Célia Xakriabá apresentou 2.143 proposições, relatou 52 projetos e teve R$1,86 milhão em emendas pagas a beneficiários de 10 municípios. Duda Salabert apresentou 1.294 proposições, relatou 72 projetos e destinou R$1 milhão a cinco municípios. Dandara apresentou 858 proposições, relatou 28 projetos e destinou R$300 mil a Almenara e Medina. Ana Pimentel apresentou 822 proposições, relatou 41 projetos e destinou R$256 mil ao Fundo Municipal de Saúde de Medina.
Na Assembleia Legislativa, as sete deputadas progressistas apresentaram 239 emendas individuais ao Vale. Elas somaram R$ 27,2 milhões pagos e alcançaram municípios das cinco microrregiões.
Andréia de Jesus destinou 81 emendas a 19 municípios. Leninha apresentou 60 emendas para 18 municípios, enquanto Ana Paula Siqueira e Beatriz Cerqueira apresentaram 42 emendas cada. Bella Gonçalves destinou 10 emendas, Lohanna teve emendas pagas em Turmalina e uma indicada em Diamantina, e Macaé Evaristo apresentou uma emenda para Francisco Badaró.
Macaé Evaristo deixou a Assembleia Legislativa em setembro de 2024 para comandar o Ministério dos Direitos Humanos e reassumiu o mandato em março de 2026.
Temas registrados
As proposições e emendas se concentraram em cinco frentes: mineração e lítio com controle social; água e meio ambiente; povos tradicionais; políticas para mulheres; e universidade e desenvolvimento regional.
Entre os registros estão a educação escolar quilombola, o Estatuto da Igualdade Racial, a fiscalização do complexo Grota do Cirilo da Sigma Lithium, o abastecimento de água de Araçuaí, a barragem de Setúbal e a proposta para reconhecer o Rio Jequitinhonha como sujeito de direitos.
Célia Xakriabá afirmou que “o Vale do Jequitinhonha não é zona de sacrifício. É território de resistência”. Beatriz Cerqueira, por sua vez, declarou: “Ali não é o Vale do Lítio. Ali é o Vale do Jequitinhonha.”
Comparação com outras deputadas
Minas Gerais tinha 26 deputadas em exercício: 17 na Assembleia Legislativa e nove na Câmara Federal. Entre elas, 11 eram progressistas e 15 pertenciam a partidos de centro e direita.
Na Câmara Federal, as quatro progressistas apresentaram 5.117 proposições e relataram 193 projetos, contra 491 proposições em média e 124 relatorias entre as demais deputadas mineiras. Na atuação territorial, todas as quatro progressistas tinham registro no Vale, enquanto nenhuma das cinco não progressistas apresentava registro territorial na região.
Na Assembleia Legislativa, as sete progressistas tinham proposições próprias citando o Vale ou seus municípios. Entre as 10 deputadas de centro e direita, três tinham algum registro. As 15 deputadas desse grupo pagaram R$ 40,9 milhões em 26 municípios, enquanto as progressistas alcançaram 39 municípios com R$ 30,6 milhões.








