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Ameaças interrompem cobertura eleitoral do Tapajós de Fato em Santarém

Site independente decidiu não acompanhar as eleições de 2026 após ataques, intimidações e falta de segurança para a equipe.

Ameaças interrompem cobertura eleitoral do Tapajós de Fato em Santarém

O Tapajós de Fato decidiu não acompanhar as eleições de 2026 depois de uma sequência de ameaças e episódios de violência contra integrantes da equipe. A decisão foi tomada antes da publicação da primeira reportagem prevista para a cobertura, que vinha sendo planejada desde o começo do ano, com definição de pautas e busca por financiamento.

O caso mais recente ocorreu em junho deste ano. Marcos Wesley Pedroso, fundador do site, encontrou o carro destruído diante de casa. Ao recuperar as imagens das câmeras, quatro dias depois, viu dois ciclistas circulando pelo quarteirão antes de um automóvel entrar na contramão, atingir um veículo estacionado e fugir, às 4h28. Um dos ciclistas havia apontado o celular para filmar a residência e o carro. Marcos suspeita que a colisão tenha sido uma isca para fazê-lo sair e cair em uma emboscada.

Histórico de ataques

As ameaças contra o site se intensificaram em 2021, durante reportagens sobre a venda ilegal de terras do Projeto de Assentamento Agroextrativista Lago Grande. Vieram depois ameaças de morte por telefone e mensagens. Os casos foram levados à Polícia Civil e ao Ministério Público, mas não há informação conclusiva, autores identificados ou provas de que os episódios estejam ligados entre si.

Em 2022, durante a eleição presidencial, os pneus da caminhonete usada pela equipe foram rasgados. Dias depois, uma cabeça de gato apareceu no terreno onde o veículo ficava estacionado, acompanhada de um bilhete com o nome de Marcos e o aviso de que ele seria a próxima vítima. Em outro episódio, uma comunicadora foi atacada com uma faca e conseguiu escapar dos golpes.

Naquele período, integrantes da equipe passaram semanas em hotéis por não se sentirem seguros em suas casas. Marcos deixou Santarém por causa das ameaças e após receber diagnóstico de depressão. Ele afirma ter mudado de endereço seis vezes nos últimos três anos. João Paulo Serra, coordenador de projetos, ficou um ano sem visitar a mãe.

“A gente decidiu recuar de novo em 2026”, disse Marcos. Para ele, o medo passou a afetar até atividades cotidianas. “Eu tenho medo de pessoas aleatórias na rua, no supermercado”, afirmou.

Um jornalismo voltado à Amazônia

Criado em 2020, durante a pandemia de Covid-19, o Tapajós de Fato é um veículo independente e integrante da Rede Cidadã InfoAmazonia. O site surgiu a partir de uma iniciativa de comunicadores rurais e ampliou sua atuação para temas como conflitos fundiários, mineração, soja, clima e direitos dos povos tradicionais.

A redação também produziu conteúdos sobre o desabastecimento de oxigênio no Baixo Amazonas, os impactos no assentamento Lago Grande e as pressões fundiárias e ambientais na região. Outra frente foi a formação de jovens comunicadores, com apoio ao Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns e a um movimento quilombola na criação de estruturas próprias de comunicação.

Em 2022, o site entrevistou candidatos com atuação no oeste do Pará, tratou de garimpo, desmatamento, mudanças climáticas e direitos de povos tradicionais, além de acompanhar manifestações bolsonaristas diante de uma unidade do Exército. Em 2024, a insegurança já havia levado à suspensão da cobertura das eleições municipais.

Sem a cobertura de 2026, o site não vai investigar possíveis vínculos de candidatos com o garimpo, o agronegócio e grandes obras, nem discutir problemas e soluções para a região. João Paulo afirmou que a interrupção expõe uma falha do Estado e que outros grupos ocuparão o espaço deixado pela redação.

A equipe, que reunia mais de 20 pessoas em 2022, hoje tem sete integrantes. Reportagens deixaram de ser publicadas, enquanto repórteres reduziram aparições públicas e fecharam perfis pessoais. A falta de financiamento também contribuiu para a redução.

O Tapajós de Fato atua em uma região com poucos meios de comunicação. Dados do Atlas da Notícia de 2025 apontam 1.264 veículos jornalísticos no Norte, que reúne 9,2% do total do país. Dos 450 municípios da região, 193 não tinham nenhum meio de comunicação e 144 possuíam um ou dois.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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