A alta acumulada do dólar na semana contrastou com o desempenho de outras moedas emergentes. O dólar à vista encerrou esta sexta-feira (25) a R$ 5,1817, com queda de 0,23% no dia, mas avançou 1,10% no período. Nos últimos cinco pregões, o real perdeu menos que os pesos colombiano, mexicano e chileno, que tiveram baixas entre 2% e 4%.
A moeda brasileira acompanhou apenas parcialmente a desvalorização do dólar no exterior. A cautela antes do fim de semana e a sazonalidade desfavorável no fechamento do trimestre dificultaram uma reação mais forte do real, que passou boa parte da tarde perto da estabilidade e recuou na reta final dos negócios.
O movimento internacional foi influenciado por indicadores fortes da economia dos Estados Unidos e por declarações firmes de dirigentes do Federal Reserve. As taxas dos Treasuries e o dólar subiram ao longo da semana, enquanto a permanência do petróleo em patamares elevados aumentou os temores de inflação. Nesta sexta-feira, as cotações do petróleo recuaram diante de sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Cenário externo e política monetária
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, rompeu o piso dos 101,000 pontos e estava próximo de 100,998 no fim da tarde, depois de atingir a mínima de 100,872. O indicador acumulou alta de cerca de 0,80% na semana e subiu mais de 1,50% em setembro.
O iene avançou mais de 1% na sessão após a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, relatar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou preocupação com a desvalorização da moeda japonesa.
Para Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR, a economia americana, impulsionada sobretudo pelos investimentos em IA, tende a sustentar um dólar forte. Ele também avaliou que a postura do Federal Reserve contra a inflação reduziu os temores de perda de independência da política monetária após a indicação de Kevin Warsh para o cargo de chairman por Donald Trump.
Eleições e trajetória do câmbio
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira à noite mostrou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro e no segundo turno, com vantagem numérica do petista nas duas rodadas. Operadores não identificaram impacto da confirmação da proibição das bets por Lula, por meio de Medida Provisória anunciada para esta sexta-feira, na formação do câmbio.
Fonseca disse que o cenário doméstico será determinante. “Se o presidente eleito não der um sinal contundente sobre um plano de ajuste fiscal, o dólar pode ir para R$ 6,00”, afirmou. Em um cenário de maior confiança nas sinalizações de ajuste, acrescentou, a moeda poderia ficar abaixo de R$ 5,00.
Relatório do Itaú, elaborado pela equipe comandada pelo ex-diretor do Banco Central Diogo Guillen, apontou que o real teve desempenho melhor no mês, favorecido pelos termos de troca e por uma percepção de risco local mais construtiva. O banco manteve projeção de câmbio em R$ 5,30 neste ano e em R$ 5,50 em 2027.







