A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, afirmou nesta terça-feira (22/9) que o El Niño não deve elevar os preços dos alimentos em 2026. Segundo ela, a tendência é de estabilidade e até deflação na maioria dos Estados.
A avaliação foi apresentada após o anúncio da compra de 191 mil toneladas de milho para recompor estoques públicos e abastecer o Programa de Venda em Balcão (ProVB). A iniciativa oferece o cereal a preços acessíveis a criadores de animais do Nordeste afetados pela estiagem. Machiaveli disse que as ações de prevenção e enfrentamento ao fenômeno devem reduzir possíveis impactos.
“Os preços vão continuar nesse momento de deflação”, afirmou a ministra. Ela acrescentou que houve queda em 25 das 27 capitais e redução pelo terceiro mês consecutivo.
As projeções atuais também indicam aumento da safra de grãos em 2026/27, o que pode ampliar a oferta interna e conter os preços dos alimentos.
Carnes e abastecimento
Para a carne bovina, a ministra mencionou uma previsão de queda de 3,6% na produção brasileira em 2027, associada à inversão do ciclo pecuário e à maior retenção de fêmeas. Ainda assim, o governo não projeta aumento de preços e espera oferta maior no mercado interno no segundo semestre.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto, citou mudanças na dinâmica das exportações de carne bovina, incluindo a cota para a China e o bloqueio da União Europeia. Ao mesmo tempo, há expectativa de aumento na produção de ovos, frango e suínos, o que deve contribuir para a oferta de carnes no país.
Nesta terça-feira (22/9), o governo federal liberou mais R$ 64,3 milhões por meio da Medida Provisória 1.392/2026. Os recursos serão operacionalizados pela Conab para a compra de cestas básicas destinadas a regiões afetadas por problemas climáticos, como o Norte do país, onde a seca prejudica a navegabilidade dos rios.
Mais de R$ 40 milhões serão destinados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por meio da Conab, na região Norte. De acordo com Fernanda Machiaveli, os recursos vão estimular a produção e garantir a compra de alimentos de comunidades tradicionais e famílias ribeirinhas. As cestas também serão enviadas ao Sul do Brasil para atender populações urbanas afetadas por enchentes.








