O presidente Lula afirmou que recursos relacionados à produção do filme Dark Horse teriam sido usados para financiar a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A declaração foi dada nesta quarta-feira (30), durante entrevista a um pool de comunicadores alternativos.
Lula associou o caso a articulações internacionais do grupo político ligado à família Bolsonaro. Ao criticar a atuação de opositores fora do Brasil, mencionou viagens a Israel e iniciativas para influenciar eleições por meio da internet.
O presidente também citou o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo Lula, Flávio teria recebido recursos de Vorcaro e enviado o dinheiro para manter Eduardo no exterior. “Aquele famoso dinheiro do filme [Dark Horse] é o dinheiro que ele [Flávio Bolsonaro] pegava do Vorcaro para poder mandar para a sobrevivência do Eduardo lá [nos Estados Unidos]”, declarou.
Investigação sobre o filme
O chamado caso Dark Horse é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. As apurações analisam suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de um projeto audiovisual sobre Jair Bolsonaro.
Relatórios da Polícia Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontam Vorcaro como principal financiador do filme. Os repasses teriam passado por fundos e estruturas de investimento no exterior, entre elas a Havengate e a Entre Investimentos.
Mensagens e áudios obtidos pelos investigadores indicam que Flávio Bolsonaro participou da articulação para captar e liberar os recursos junto a Vorcaro. Nas conversas, ele cobrava prazos e pressionava pela liberação de parcelas para a produtora norte-americana, alegando a necessidade de evitar pagamentos em atraso a atores e diretores estrangeiros, como Jim Caviezel.
Eduardo Bolsonaro é citado em relatórios da Polícia Federal por tratativas nos Estados Unidos relacionadas à gestão dos recursos da produção. Polícia Federal e Ministério Público Federal apuram se valores destinados ao filme custearam despesas pessoais e a permanência do ex-deputado no país por meio de empresas de fachada e estruturas no exterior.








