A BrasilAgro registrou prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões no quarto trimestre fiscal de 2026, entre abril e junho. No mesmo período do ano anterior, a empresa havia obtido lucro líquido de R$ 61,3 milhões, conforme comunicado divulgado na quinta-feira (3).
A companhia colheu 273,7 mil toneladas de cana-de-açúcar, praticamente metade das 585,4 mil toneladas registradas um ano antes. Gustavo Lopez, diretor financeiro da BrasilAgro, afirmou que a redução buscou limitar a oferta em um período de preços baixos do açúcar e do etanol. Com a decisão, cerca de 280 mil toneladas tiveram a colheita adiada para os meses seguintes.
A receita líquida caiu 20% na comparação anual, para R$ 289,5 milhões. O Ebitda ajustado totalizou R$ 56,6 milhões, queda de 21% em relação ao mesmo intervalo anterior. O indicador considera também as vendas de fazendas.
A BrasilAgro não vendeu propriedades no trimestre. A empresa atribuiu a ausência de negócios ao maior rigor na avaliação de potenciais compradores diante do endividamento no setor. Em igual período de 2025, a receita com a venda de fazendas havia alcançado R$ 111,99 milhões. “Temos como modelo de negócio fazer esse ganho imobiliário e não conseguimos realizá-lo”, disse Lopez.
No ano fiscal de 2026, correspondente à safra 2025/26, de julho de 2025 a junho de 2026, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 90 milhões. No ciclo anterior, havia registrado lucro líquido de R$ 138 milhões. A receita líquida recuou 20%, para R$ 895,7 milhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 63%, para R$ 99,3 milhões.
Para a safra 2026/27, a empresa antecipou a compra de insumos e pretende ampliar o uso de sementes próprias. A área plantada total deve diminuir 1%, para 165,208 mil hectares, diante dos impactos esperados do El Niño em suas regiões de atuação. Mesmo com a redução, a produção deve crescer 9%, para 452,9 milhões de toneladas. As produções de algodão e cana não devem aumentar.
André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, afirmou que as vendas de terras devem ser retomadas nos próximos trimestres e são um objetivo para 2027. Ele citou bolsões de liquidez na Bahia, no Maranhão, no Piauí e no Paraguai.








