Três pessoas foram indiciadas por homicídio culposo pela Polícia Civil do Ceará após a morte do empresário João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos, durante um procedimento estético em uma clínica no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso ocorreu no último dia 18 de agosto.
O inquérito foi concluído e remetido à Justiça nesta quarta-feira (23), conforme informou a polícia. Foram indiciados Michele França Soares Silvestre, empresária, cirurgiã orofacial e dona da clínica; Walédya Araújo Lopes Melo, anestesista; e Heraldo Simões Ferreira Filho, cirurgião-dentista.
Procedimento e atendimento
João Victor era cliente regular do Espaço Michele França e já havia participado de uma peça publicitária da clínica para o Dia dos Pais de 2025. Segundo o advogado da família, Alysson Castro, o empresário foi ao local para realizar um lifting na região das têmporas, procedimento que envolve uma incisão próxima à linha do cabelo para reduzir a flacidez do rosto.
Antes da intervenção, ele recebeu anestesia. O documento da Perícia Forense registra que Walédya Melo informou que o empresário tinha histórico de hipertensão. A anestesia teria sido aplicada pela equipe da médica, enquanto a clínica pertence a Michele França.
Em nota divulgada após a morte, o Espaço Michele França afirmou que as equipes adotaram as condutas médicas cabíveis e atuaram de forma imediata diante do imprevisto durante o procedimento. A anestesista também lamentou a morte e disse que aguardaria o laudo pericial oficial para fazer novas manifestações.
O Conselho Regional de Odontologia do Ceará informou que não havia sido formalmente notificado sobre o caso. A entidade afirmou que a realização do lifting por dentistas é regularizada e que eventuais procedimentos de fiscalização e apuração ética tramitam em caráter sigiloso.
Manifestação da família
Alysson Castro afirmou que o indiciamento confirma a tese da família sobre negligência no atendimento, citando a estrutura da clínica, informações prestadas ao Samu e a declaração de uma das indiciadas de que seria a primeira vez que realizava o procedimento. O advogado também disse que a família havia solicitado diligências, preservação de imagens, depoimentos de testemunhas e ofícios aos conselhos profissionais.
A defesa da família declarou que o resultado não devolve João Victor aos parentes, mas representa o reconhecimento da responsabilidade pelos fatos investigados.








