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Polícia investiga possível indução ao suicídio no caso Isabelle Caracristi

João Munhoz está preso preventivamente, enquanto a Polícia Civil analisa depoimentos, imagens e aparelhos eletrônicos apreendidos.

Polícia investiga possível indução ao suicídio no caso Isabelle Caracristi
Foto: Reprodução

A Polícia Civil investiga se João Munhoz Neto induziu a universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, a tirar a própria vida. A jovem foi encontrada morta no último dia 13 de setembro, após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso inicialmente foi tratado como suicídio, mas outras linhas de investigação continuam em análise.

Munhoz foi preso na terça-feira (22) e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça após audiência de custódia no dia seguinte. Ele é suspeito de violência psicológica contra a namorada e de indução ao suicídio. A advogada Lígia Peixe informou que apresentou pedido de habeas corpus e questiona a legalidade da prisão.

Relatos sobre o relacionamento

Depoimentos colhidos pela Polícia Civil indicaram que Munhoz tinha comportamento controlador, restringia a liberdade de Isabelle e interferia na rotina dela. Pelo menos oito pessoas foram ouvidas, além da análise de aparelhos eletrônicos, realização de perícias e verificação de centenas de vídeos.

Os dois se conheceram na empresa em que trabalhavam, em meados de agosto. Munhoz era responsável pela gestão e supervisão da equipe, enquanto Isabelle atuava como estagiária desde o dia 24 de julho. O dono do escritório, Rudá Bezerra, relatou à polícia que chamou os dois para conversar depois de perceber a aproximação entre eles e pediu que separassem a vida pessoal do ambiente profissional.

Segundo o advogado Leandro Vasques, que representa Rudá, Isabelle procurou o gestor para dizer que Munhoz não permitia que ela participasse de audiências sozinha nem realizasse atividades de forma independente. O escritório aplicou uma advertência e mudou a posição dos computadores para aumentar a distância entre os dois. Em 17 de agosto, Isabelle pediu desligamento do estágio por questões pessoais. Depois, Munhoz também se afastou, alegando problemas de saúde e afirmando que a mãe estaria com câncer. Ele passou a trabalhar em regime de home office.

A mãe da universitária, Isorlanda Caracristi, afirmou que não aprovava o namoro. Segundo ela, a relação começou menos de dez dias após o início do estágio e avançou rapidamente. Isabelle também teria informado que iria morar com Munhoz, decisão que desagradou à mãe. O namorado, porém, declarou em depoimento que a mudança foi sugerida pela própria estudante e ocorreu aos poucos, sem mudança definitiva imediata.

Queda e investigação

Antes da morte, Isabelle passou o sábado, dia 12 de setembro, com a mãe em um aniversário familiar. No domingo, disse que iria a uma missa e a uma procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima com o namorado e a mãe dele.

Munhoz declarou que saiu sozinho para uma missa na noite do dia 13, enquanto Isabelle permaneceu no apartamento. Imagens do condomínio mostraram a estudante sozinha em um elevador, com o celular na mão, seguindo para o rooftop, no 23º andar. Cerca de duas horas depois, ela foi encontrada morta.

A Polícia Civil apontou precipitação voluntária do rooftop como causa da morte. A perícia identificou múltiplas lesões compatíveis com a queda, mas não encontrou sinais de violência. O delegado-geral Márcio Gutiérrez informou que não há câmeras no rooftop, embora imagens de outras áreas do prédio e das proximidades sejam analisadas.

Mais de 700 vídeos estão sob verificação. A 2ª Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza conduz o caso. Na noite do último domingo (20), foram apreendidos o celular e um tablet da mãe de Munhoz, Sara Regina Alexandre Munhoz, durante cumprimento de mandado no Cumbuco, em Caucaia.

A Perícia Forense do Ceará examinou inicialmente o apartamento do casal e não encontrou sinais de briga ou violência. Depois, os peritos analisaram o rooftop. O perito-geral do Ceará, Júlio Torres, afirmou que o local havia sido isolado pela Polícia Militar antes dos exames.

Conduta após a morte

Depoimentos indicaram que Munhoz voltou ao condomínio no dia seguinte em busca do celular de Isabelle. Conforme os relatos, o apartamento teria sido limpo e colocado à venda. A Polícia Civil também informou que ele proibiu a entrada de familiares da estudante, deixou o imóvel carregando malas, mudou de endereço e só compareceu à delegacia oito dias após a morte, acompanhado de uma advogada.

“A Polícia Civil iniciou as investigações e já percebeu que a postura do João era uma postura não colaborativa”, afirmou Márcio Gutiérrez.

No depoimento prestado na noite de segunda-feira (21), antes da prisão, Munhoz disse que foi sozinho ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima no domingo, 13 de setembro. Ele afirmou ter recebido mensagens de Isabelle relatando dores, colocado o celular no modo silencioso durante a missa e visto o aparelho novamente depois do horário em que ela morreu.

A Polícia Civil ainda pretende ouvir mais pessoas, confrontar os depoimentos e continuar a análise das imagens de videomonitoramento e dos dados dos celulares apreendidos. O caso permanece em aberto, e nenhuma linha de investigação foi totalmente descartada.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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