IGUATU — O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou quatro homens pela morte de Herbert Douglas Oliveira da Silva, de 23 anos, durante um linchamento na ExpoIguatu, em Iguatu, no interior do Ceará. O crime ocorreu no dia 6 de setembro deste ano, e os acusados estão presos preventivamente.
Thiago de Souza Melo, Adrio Gabriel Ferreira de Sousa, Elionay David Santana e Daniel Batista da Silva vão responder por homicídio duplamente qualificado, com uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MPCE também apontou que os quatro agiram em conjunto, circunstância que pode causar aumento da pena.
Segundo a denúncia, Herbert foi atacado com socos e chutes depois que a confusão já havia começado. Os golpes provocaram hemorragia cerebral, traumatismo craniano, lesão grave na junção da coluna ao crânio e fratura da cartilagem da tireoide, com sufocamento.
A vítima recebeu primeiros socorros de uma equipe da ExpoIguatu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Herbert foi reanimado e levado a um hospital, onde teve outra parada cardiorrespiratória e morreu.
Participação dos denunciados
Thiago, de 26 anos, foi apontado como responsável pelo golpe descrito pelo MPCE como o chute final, na região do pescoço. Conforme a denúncia, ele também foi reconhecido em imagens chutando e pisando na cabeça de Herbert. Em depoimento, afirmou que não havia sido agredido pela vítima e que a atacou sem motivação.
Adrio, de 20 anos, desferiu um chute quando Herbert já estava no chão. Ele confessou a ação à polícia e estava usando tornozeleira eletrônica por tráfico de drogas.
Elionay, de 21 anos, deu pontapés na cabeça da vítima caída e sem defesa. Ele foi identificado em imagens e disse que conhecia Herbert apenas de vista, do bairro onde vivia.
Daniel, de 19 anos, conhecido como Zóio, desferiu dois chutes seguidos contra Herbert e confessou a ação. Ele só parou depois de ser contido por outra pessoa.
Para o MPCE, os denunciados agiram com intenção de matar porque atacaram, junto com outros agressores, uma pessoa derrubada, desarmada e sem possibilidade de defesa, com golpes na cabeça e no pescoço. O órgão afirmou que as agressões foram sucessivas e de extrema violência.
Como a briga começou
De acordo com o documento do MPCE, Herbert estava na área gratuita do evento, visivelmente embriagado, e passou a circular entre mesas, retirando copos de bebida de grupos aos quais não pertencia. A situação teria começado quando ele tentou pegar um copo em uma mesa.
Um dos ocupantes afirmou à polícia que tentou afastar Herbert para evitar uma briga, mas teria sido atingido com um soco. Ele revidou, e outros integrantes da mesa entraram na confusão.
Seguranças se aproximaram para interromper a briga. Herbert conseguiu um pedaço de madeira e acertou um integrante da equipe. Conforme o MPCE, dois seguranças, incluindo o homem atingido, deram socos nele, enquanto um terceiro o imobilizou.
Depois, outras pessoas se aproximaram e retiraram Herbert das mãos da equipe de apoio. Foi nesse momento que começou o espancamento coletivo, etapa em que os quatro denunciados teriam aplicado os golpes que, conforme a perícia, causaram a morte.
O Ministério Público solicitou novas diligências da Polícia Civil para identificar todos os integrantes da equipe de segurança que contiveram Herbert e verificar se eles tentaram impedir o linchamento ou permaneceram sem agir.
Prisões
Elionay foi preso logo após o crime. Daniel, Adrio e Thiago foram presos na quinta-feira (24), em Iguatu. Adrio e Thiago passaram por audiência de custódia na mesma data e tiveram as prisões mantidas. Elionay permanece preso preventivamente, enquanto Daniel será submetido à audiência de custódia nesta sexta-feira (25).
Após o linchamento, Elionay e outros dois homens, de 25 e 28 anos, foram presos em flagrante por suspeita de envolvimento na morte. Os dois homens foram soltos em audiência de custódia, e suas identidades não foram divulgadas.
Herbert era natural de Rondônia e vivia havia cerca de três meses em Iguatu, na casa de uma tia. Ele queria fazer o concurso para a Polícia Militar do estado. Antes disso, havia sido sargento do Exército Brasileiro, mas deixara a corporação alguns meses antes.
A família informou que ele pretendia voltar a Rondônia para vender um carro e terrenos e depois se mudar definitivamente para o Ceará. A direção do Rotary Club se disponibilizou a pagar os custos do transporte do corpo para Rondônia, onde vivem a mãe e outros familiares.








