CARUARU — Pelo menos 24 pessoas suspeitas de integrar o tráfico de animais silvestres foram detidas durante uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação ocorreu nas primeiras horas da manhã deste sábado (5), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, e resultou no resgate de mais de 400 aves. Os nomes dos detidos não foram divulgados.
A operação reuniu 87 agentes e teve como principal alvo a Feira de Caruaru. De acordo com o Ibama, os suspeitos participavam da cadeia de comércio ilegal de animais no interior do estado. A fiscalização contou com drones, monitoramento e ações de inteligência.
Os animais foram encontrados em condições de maus-tratos. Alguns estavam presos em gaiolas apertadas, sem água ou alimento, e precisaram de atendimento médico por causa de ferimentos. Depois da abordagem, os 24 detidos foram encaminhados à Delegacia Seccional de Caruaru, onde as medidas judiciais foram adotadas.
Saulo Gouveia, coordenador da operação, afirmou que parte dos suspeitos identificados também atua na organização de grupos ligados ao tráfico na cidade e na região. Segundo o Ibama, Caruaru é um dos principais polos desse comércio no Nordeste. Embora as feiras livres ainda sejam usadas, as investigações indicam uma migração de traficantes para plataformas virtuais.
Apreensão anterior
Em 18 de agosto, um homem de 29 anos e uma mulher de 27 foram detidos pela Polícia Rodoviária Federal na BR-423, em Iati, com 584 animais silvestres. A abordagem ocorreu durante uma fiscalização. Segundo a polícia, o motorista já tinha sido detido outras quatro vezes pelo mesmo tipo de ocorrência e disse que comprou os animais em Canindé de São Francisco, em Sergipe, para revendê-los em Caruaru.
Na ocasião, foram encontrados 555 pássaros em gaiolas e 29 jabutis escondidos sob engradados. Entre as aves havia galos de campina e papa-capins. Os animais foram enviados ao Ibama para receber cuidados e depois retornar à natureza.
A Polícia Rodoviária Federal informou que, de janeiro a agosto de 2026, resgatou 1.101 animais silvestres em Pernambuco. No ano passado, foram 1.594. A corporação afirma que o transporte clandestino provoca mortes por falta de oxigênio e pelo calor excessivo.
A venda ou a manutenção de animais silvestres em casa sem autorização ambiental é crime e pode levar a multa e pena de até um ano de prisão. Saulo Gouveia também ressaltou a responsabilidade de quem compra: “O comprador faz parte do tráfico de animais silvestres, porque se não existir o comprador, isso aqui [tráfico de animais em feiras livres] não iria existir.”








