CARUARU — A seca de um reservatório no sítio Carneirinho, na zona rural de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, revelou fragmentos de fósseis de animais pré-históricos e pinturas rupestres. Entre as ossadas encontradas estão as de preguiças-gigantes, tatus-gigantes e mastodontes. O local fica a 40 quilômetros do centro de Caruaru e a 150 quilômetros do Recife.
A descoberta ocorreu em 2013, quando o agricultor José Carlos decidiu retirar pedras do reservatório, que havia secado após um longo período de estiagem. As estruturas que pareciam rochas comuns eram, na verdade, ossadas fossilizadas de grandes proporções. A primeira peça localizada por ele foi o crânio de um animal de grande porte.
José Carlos comunicou a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para onde foram levadas peças encontradas no sítio. Depois da descoberta inicial, as escavações foram interrompidas para evitar danos causados pela exposição ao tempo. Com o retorno das chuvas, a água voltou a cobrir parte das ossadas.
Vestígios do Pleistoceno
O biólogo Alexandre Nunes afirma que os animais viveram durante o Pleistoceno, período geológico que durou de cerca de 2,6 milhões até 11.700 anos atrás. Entre os animais associados à época estão toxodontes, tigres-dentes-de-sabre, preguiças-gigantes e tatus.
Segundo o biólogo, a região tinha vegetação abundante por causa da ligação entre a Amazônia e a Mata Atlântica. Análises realizadas nos dentes encontrados apontam falhas e furos associados à hipoplasia de esmalte, fenômeno relacionado à fome enfrentada pelos animais.
O reservatório natural de rochas funcionava como um ponto de acesso à água. A concentração de fósseis é relacionada à reunião dos animais para beber, aos conflitos territoriais e à ação de predadores. Carcaças que ficavam nas margens deslizavam para as áreas mais profundas.
O sítio também abriga pinturas rupestres que indicam a presença humana na região há cerca de 10 mil anos. Para Alexandre Nunes, a criação de um espaço de exposição ajudaria a preservar a história local, apoiar a educação e atrair turismo para a comunidade.
O coordenador do Laboratório de Antropologia e Arqueologia da UFPE, Sandro Guimarães de Sales, alertou que novas ossadas devem ser encaminhadas à universidade. Segundo ele, intervenções sem acompanhamento profissional podem reduzir o valor científico dos materiais.








