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Disputa pela inteligência artificial amplia pressão por regulação e soberania digital

Veronyka Gimenes defende limites para as Big Techs e alerta para riscos de ataques, vazamentos e uso descontrolado da IA.

Disputa pela inteligência artificial amplia pressão por regulação e soberania digital

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China colocou a inteligência artificial no centro das discussões internacionais. Durante um encontro com Xi Jinping e em discurso na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump defendeu a aceleração do desenvolvimento da tecnologia e rejeitou controles sobre o setor. O presidente americano também sugeriu trocar o termo inteligência artificial por superinteligência.

Para Veronyka “Travahacker” Gimenes, programadora, artista, ativista e comunicadora, a pressão por regras tornou-se ainda mais necessária. Eleita uma das 100 pessoas mais influentes em inteligência artificial do mundo em 2026 pela revista Time e diretora da plataforma Código Não Binário, ela afirma que a regulamentação deve ser acompanhada pelo combate à concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia.

Riscos além da ameaça de uma IA consciente

Na avaliação de Veronyka, os riscos não dependem de uma eventual consciência das máquinas. Sistemas autônomos já atuam na infraestrutura da internet e podem ser usados por pessoas mal-intencionadas. A velocidade de ataques contra ferramentas de inteligência artificial também seria muito superior à de ações humanas, o que amplia os possíveis danos.

Ela cita o caso do Hugging Face, empresa que mantém uma comunidade de código aberto, onde foram identificadas milhares de tentativas de ataque ou de uso indevido de informações entre plataformas. Para a programadora, as defesas atuais não garantem que agentes autônomos possam ser interrompidos por um simples comando.

Outro ponto de atenção está nos ambientes usados para treinar modelos. Veronyka compara esses espaços a usinas nucleares e afirma que treinamentos podem produzir escapes ou vazamentos mesmo sem uma falha direta de controle. A disputa por sistemas cada vez mais potentes, segundo ela, aumenta a possibilidade de que limites sejam ultrapassados.

A entrevistada também menciona o desenvolvimento de vírus artificiais com sistemas de inteligência artificial. Modelos descontrolados ou utilizados por grupos com objetivos próprios poderiam produzir danos à humanidade. Ela acrescenta que a generalização das capacidades dos robôs tende a ampliar a presença de sistemas inteligentes no mundo físico.

Tecnologia aberta e soberania digital

Veronyka critica o chamado tecno-solucionismo, que apresenta a IA como resposta mágica para problemas sociais. Ela também questiona a relação entre grandes empresas de tecnologia e líderes políticos que defendem a expansão do setor, especialmente quando há interesses econômicos envolvidos.

Ao mesmo tempo, a ativista defende que a sociedade não abandone essas ferramentas. Para ela, é necessário desenvolver tecnologias abertas e públicas, além de estruturas próprias para armazenar dados e operar sistemas. Nesse debate, cita a nuvem soberana no governo como avanço após anos de pressão para que dados públicos, inclusive os ligados ao SUS, não dependam de empresas como a Microsoft.

A proposta inclui criar data centers voltados a soluções comunitárias e públicas, com atenção ao consumo de água, à poluição sonora e aos impactos ambientais. Na visão de Veronyka, a regulação é necessária, mas insuficiente diante da concentração de infraestrutura e conhecimento nas Big Techs.

Ela também considera importante observar o planejamento da China para seus data centers, incluindo a instalação de parte dessas estruturas em desertos e o uso de energia dos ventos e solar. O objetivo seria avaliar o que pode ser adaptado às características brasileiras, com organizações que não tenham apenas fins lucrativos.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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