FORTALEZA — João Munhoz Neto, bacharel em direito, foi preso preventivamente nesta terça-feira (22), em Fortaleza, no âmbito da investigação sobre a morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos. O casal mantinha um relacionamento. A jovem foi encontrada morta no condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota, na noite de 13 de setembro.
A prisão ocorreu em um condomínio do bairro Aldeota. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que os procedimentos judiciais ligados à apuração tramitam em segredo de Justiça. João é investigado pelos artigos 122, que trata de induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou praticar automutilação, e 147, referente a ameaça.
Formação e atuação profissional
João se formou em direito em uma universidade particular de Fortaleza, mas não tem inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e não atuava como advogado. Ele trabalhou em um escritório de advocacia onde conheceu Isabelle. A empresa declarou que ele nunca fez parte do quadro societário e desempenhou apenas funções administrativas.
Em um site de busca profissional, João se apresentava como correspondente jurídico, com experiência nas áreas cível, trabalhista, penal e previdenciária. Também informou ter trabalhado em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Recife (PE) e São Paulo (SP).
O bacharel teve experiências como estagiário no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, no Juizado Especial Cível e Criminal do Ceará, no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI-CE) e em um escritório voltado às áreas cível, empresarial e previdenciária. Ele concluiu uma pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil e começou outra em direito digital, direito médico e direito previdenciário.
Morte de Isabelle
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e havia estagiado por aproximadamente 20 dias no mesmo escritório. Segundo a empresa, ela pediu desligamento em agosto por razões de ordem pessoal.
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) identificou lesões no corpo da estudante compatíveis com o impacto contra o solo. Os exames laboratoriais tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
A sequência registrada no condomínio indica que, às 18h32 de 13 de setembro, o namorado foi à portaria. Depois disso, ele e a mãe deixaram o local em um carro. Às 19h12, Isabelle foi vista sozinha em um elevador, com o celular na mão, seguindo para o rooftop, no 23º andar. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o óbito ocorreu por volta de 20h40. João retornou ao condomínio às 22h48.
A mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, afirmou que a filha havia relatado dores no pescoço e queria passar o fim de semana com ela. No sábado, 12 de setembro, as duas foram ao aniversário de um familiar. No domingo, Isabelle disse que iria a uma missa e a uma procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima com o namorado e a mãe dele.
Isorlanda afirmou que a filha recebia muitas mensagens do namorado e atribuiu a ele comportamento controlador. À noite, Isabelle enviou duas mensagens à mãe. Uma pedia que ela verificasse uma comida deixada na airfryer; a outra dizia: “Mãe, eu te amo”. Depois, a estudante deixou de responder.
A mãe relatou que tentou falar com João na manhã de segunda-feira (14), por ligações e mensagens, mas constatou que havia sido bloqueada nas redes sociais. Desde a morte, segundo Isorlanda, o namorado e a mãe dele não responderam às tentativas de contato nem se manifestaram.
Em 20 de setembro, a mãe de João foi localizada na praia do Cumbuco, em Caucaia. A Polícia cumpriu no local um mandado de busca e apreensão para recolher o celular e o tablet dela. No dia 21, a mãe e o irmão de Isabelle prestaram depoimento, enquanto João também foi ouvido. Em 22 de setembro, ele foi preso preventivamente em Fortaleza.








