SÃO PAULO — A presença de policiais legislativos à paisana alterou a rotina do edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, durante alguns dias do início de agosto. Os agentes fizeram varreduras nas áreas comuns enquanto Flávio Bolsonaro usava um apartamento no prédio durante a campanha presidencial.
Moradores relataram a movimentação e pediram acesso às imagens das câmeras de segurança do condomínio. Segundo eles, as gravações foram apagadas acidentalmente. O síndico não respondeu aos contatos sobre o episódio nem informou se a administração havia sido avisada previamente sobre a hospedagem e a atuação dos agentes.
O imóvel
O apartamento tem 158,87 m2, três vagas de garagem, sala integrada a uma varanda gourmet e vista para prédios da região. Flávio ficou no local durante alguns dias da primeira quinzena de agosto. Nesse período, participou de reuniões de campanha, gravou vídeos para o horário eleitoral, teve encontros na Faria Lima e participou de podcasts.
O comitê de campanha ficava na Avenida República do Líbano, a cinco minutos de carro do edifício. De acordo com relatos, o senador também se deslocava até o endereço para gravar as lives de quinta-feira.
A propriedade havia pertencido a Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como figura-chave nos negócios de Daniel Vorcaro. Zettel comprou o apartamento em 17 de abril de 2025 por 5,5 milhões de reais. Em 10 de fevereiro de 2026, vendeu o imóvel por 3,5 milhões de reais à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz.
O registro da transferência ocorreu em 4 de março, depois de o Supremo Tribunal Federal determinar o bloqueio dos bens de Zettel e na mesma data em que ele foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Respostas
Willer Tomaz inicialmente negou que Flávio tivesse usado o apartamento. Depois, afirmou que não conhece Zettel nem Vorcaro e que nunca manteve com os dois “relação pessoal, comercial ou societária”. A nota não menciona o uso do imóvel pelo senador.
A assessoria de Flávio declarou que ele ficou apenas em hotéis da região. Questionada sobre qual teria sido o uso do apartamento, não respondeu.
A Polícia Federal afirmou, em relatório do caso Master, que Zettel figurava como interposta pessoa, ou “laranja”, de Vorcaro. Tomaz não é investigado nesse caso, mas responde a investigação sobre fraudes no INSS.








