O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de manter relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Lindbergh afirmou que Flávio Bolsonaro “é um cínico”.
Segundo o parlamentar, Flávio teria cobrado R$ 134 milhões de Vorcaro e é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Lindbergh também afirmou que o senador era sócio de Antunes, mantinha uma estrutura no mesmo endereço e compartilhava contador com o lobista.
O deputado citou ainda o histórico das rachadinhas e as relações com milicianos ao defender que os eleitores conheçam a trajetória do candidato à Presidência da República.
Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registraram uma transferência de US$ 1.666.667, em 16 de setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. O fundo administrava recursos destinados ao filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O repasse ocorreu depois de Flávio Bolsonaro declarar que Vorcaro havia interrompido o financiamento do projeto em maio daquele ano. A transferência foi feita oito dias após o senador cobrar do banqueiro parcelas consideradas pendentes.
Com o novo repasse, os valores atribuídos a Vorcaro no financiamento do filme passaram de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, quantia que superava R$ 65 milhões pela cotação da época. Investigadores apuram uma transferência adicional que pode elevar o total para R$ 72 milhões.
Daniel Vorcaro está detido e tenta negociar um acordo de delação premiada. Ele foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes financeiras.
A Polícia Federal organiza a apuração sobre Dark Horse em cinco eixos: a origem do dinheiro, o papel dos envolvidos na produção, a participação da Entre Investimentos em remessas ao exterior, a identificação dos beneficiários finais de fundos nos Estados Unidos e os documentos relacionados a contratos e pagamentos.
No Supremo Tribunal Federal, há uma investigação sob relatoria de André Mendonça sobre os repasses atribuídos a Vorcaro. Flávio Bolsonaro está entre os investigados. Outra frente, relatada por Flávio Dino, apura se a Go Up Entertainment usou recursos de emendas parlamentares no financiamento do filme.
A Bravo Grafeno, fabricante de capacetes ligada a Flávio Bolsonaro, está registrada no mesmo endereço, em Brasília, de ao menos 16 empresas associadas a Antônio Carlos Camilo Antunes. Jair Bolsonaro, que já integrou a sociedade, também participa da divulgação da marca.
Antunes é apontado nas apurações sobre descontos fraudulentos que atingiram mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas. As irregularidades investigadas ocorreram entre 2019 e 2024 e teriam causado prejuízo de cerca de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.








