Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, preso no domingo (13) na Paraíba, afirmou à Polícia Civil ter cometido cerca de 80 assassinatos desde os 13 anos. O número ainda não foi confirmado pelas autoridades. O investigado é relacionado a 16 homicídios ocorridos desde maio de 2026 no Vale do Mamanguape e teria admitido participação em 11 deles.
A investigação aponta que Jorlan atuava como executor ligado ao Comando Vermelho, embora ele negue fazer parte da facção. O delegado Marcos Paulo Sales afirmou que o suspeito recebia ordens para matar pessoas. A polícia também apura a ligação dos crimes com a disputa entre o Comando Vermelho e a Nova Okaida por áreas destinadas ao tráfico de drogas na Paraíba.
Relato do investigado
Em depoimento, Jorlan disse que cometeu o primeiro assassinato aos 13 anos, depois que o pai, dono de um pequeno comércio, foi morto a facadas. Ele apresentou os crimes como uma reação pessoal contra integrantes de grupos criminosos. A Polícia Civil trata essa versão como relato do investigado, sem considerá-la uma conclusão sobre os homicídios.
Ao comentar a quantidade de vítimas, Jorlan declarou: “Eu de menor cometi muitos; [matei] uns 80 pra lá e pra cá”. Segundo a polícia, a afirmação será confrontada com inquéritos e ocorrências sobre mortes registradas na Paraíba.
De acordo com a investigação, Jorlan teria integrado anteriormente a Nova Okaida, rompeu com o grupo e passou a ser ameaçado por integrantes da organização. Com o avanço do Comando Vermelho na região, ele teria se aproximado da facção rival e passado a executar ações relacionadas aos interesses do grupo.
Prisão em Mulungu
A operação que terminou com a prisão começou no sábado (12), quando o setor de inteligência identificou o deslocamento de Jorlan da zona rural de Rio Tinto para Mulungu. Policiais militares foram posicionados nas estradas para tentar interceptar o veículo em que ele estaria.
Durante uma abordagem, dois homens foram detidos, mas Jorlan fugiu para uma área de mata. Policiais civis e militares, com apoio da inteligência da Polícia Rodoviária Federal, ampliaram as buscas. A operação durou mais de 30 horas, até que o suspeito fosse localizado no domingo.
Para tentar não ser reconhecido, Jorlan usou roupas femininas e peruca e carregou uma criança no colo. A polícia informou que a criança não era filha dele. Moradores disseram depois que teriam sido coagidos a fornecer as roupas, situação que também passou a ser investigada.
O suspeito foi encontrado após uma movimentação em uma residência chamar a atenção das equipes. Segundo o delegado responsável pela operação, ele estava com um revólver no momento da prisão.
Após a audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. A Polícia Civil continua investigando a participação de Jorlan nos homicídios atribuídos a ele e tenta verificar se a declaração sobre aproximadamente 80 assassinatos tem respaldo nos registros policiais e judiciais. Até agora, esse total permanece sem confirmação oficial.







