SÃO PAULO — Ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, deputado federal e policial militar da reserva, Guilherme Derrite disputa uma vaga no Senado paulista em 2026 pelo Progressistas (PP). Sua trajetória política é marcada pela defesa do endurecimento da segurança pública e por controvérsias envolvendo letalidade policial, o caso Gritzbach e sua atuação no Congresso.
Nascido em Sorocaba, Derrite ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 2003. Passou pelo 14º Batalhão e pela Rota, unidade operacional da Polícia Militar paulista. Depois de chegar à patente de capitão, foi para a reserva em 2018 e iniciou a carreira política.
Na Rota, foi citado em sete inquéritos sobre mortes decorrentes de intervenções policiais. Seis deles tratavam de dez mortes em operações realizadas durante três anos e nove meses de atuação. Derrite não foi denunciado criminalmente nesses casos.
Atuação política e na segurança pública
Derrite foi eleito deputado federal pelo PP em 2018, com 119.034 votos, e reeleito pelo PL em 2022, com 239.772 votos. Ligado a setores do bolsonarismo e ao campo conservador, tornou-se secretário de Segurança Pública durante o governo de Tarcísio de Freitas.
Dados do Ministério Público de São Paulo mostram que as mortes provocadas por policiais militares em serviço passaram de 262, em 2022, para 357 em 2023 e 653 em 2024. No ano seguinte, foram registradas 672 mortes. Considerando ocorrências com policiais em serviço e fora dele, o estado chegou a 835 mortes em 2024, contra 542 em 2023.
Na Baixada Santista, as Operações Escudo e Verão, iniciadas após o assassinato do soldado Patrick Bastos Reis, resultaram oficialmente em 84 mortes de civis e três de policiais militares. Relatórios de órgãos públicos e organizações registraram denúncias de abusos, tortura, invasões de domicílios, alteração de cenas de crime e obstrução de câmeras corporais.
Caso Gritzbach e Lei Antifacção
O empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, que colaborava com o Ministério Público em investigações relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi morto no aeroporto oito dias depois de ser ouvido pela Corregedoria da Polícia Civil. Em 2025, 18 policiais militares foram denunciados por crimes ligados ao caso.
A divulgação, por Derrite, do nome e da fotografia de Kauê do Amaral Coelho, apontado como responsável por monitorar Gritzbach, também gerou questionamentos. Kauê permanece foragido. Três policiais militares foram acusados de participação direta na execução. O julgamento começou em junho de 2026, foi anulado e um novo julgamento foi marcado para fevereiro de 2027.
Ao retornar à Câmara, Derrite foi relator do Projeto de Lei 5.582/2025, que deu origem ao Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, conhecido como Lei Antifacção. Alterações propostas por ele foram criticadas por preverem restrições à atuação da Polícia Federal em determinadas investigações e por ampliarem o papel do inquérito policial.
Derrite deixou definitivamente a Secretaria de Segurança Pública em dezembro de 2025. Em 2026, lançou a candidatura ao Senado pelo Progressistas, no contexto da federação União Progressista, com apoio de Tarcísio de Freitas e alinhamento à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.








