A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o uso eleitoral de investigações têm afastado parte dos eleitores da campanha, avalia a autora. Para ela, o excesso de notícias, opiniões e acusações dificulta conversas sérias sobre política, Brasil e futuro.
A autora afirma que o ambiente no STF, marcado por suspeitas e disputas públicas, contribui para a desmoralização da cúpula da Justiça. Entre os casos citados estão as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, com mais de 50 mensagens mencionadas e um contrato de 130 milhões com o escritório da esposa do ministro.
O texto também aborda o Caso Master. Em fevereiro, Dias Tóffoli deixou a relatoria do processo após um acordo feito a portas fechadas pela Corte, presidida por Edson Fachin. Segundo a análise, o ministro manteve a toga e a imunidade depois de uma manifestação de apoio pessoal e de inexistência de suspeição ou impedimento, assinada pelos dez ministros do STF. A autora lembra ainda que Tóffoli havia trocado mensagens com Vorcaro e era sócio dele no resort Tayayá.
Investigações e disputa eleitoral
Também são citadas suspeitas sobre André Mendonça e o uso político de inquéritos sob sua relatoria, entre eles os casos do INSS, Dark Horse e Master. A análise afirma que vazamentos seletivos com impacto sobre o eleitorado de Luiz Inácio Lula da Silva levaram o caso “Lulinha” às manchetes, associado às fraudes contra aposentados.
Em outra frente, o caso Dark Horse envolveria áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro. A autora afirma que Flávio ainda não depôs no inquérito, que também investiga recursos enviados por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.
O texto menciona ainda uma investigação da Polícia Federal, solicitada por Flávio Dino, sobre possível desvio de 2 milhões de reais em emendas parlamentares para organizações não governamentais ligadas a produtoras do filme. A apuração resultou em buscas na casa de Mário Frias, ex-ministro da Cultura de Jair Bolsonaro.
A autora questiona o momento da divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre Moraes, que cita Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. O documento teria sido encomendado 35 dias antes das eleições e divulgado a uma semana do 7 de setembro. Na avaliação apresentada, o episódio contribuiu para transformar Mendonça em referência entre eleitores religiosos de Jair Bolsonaro durante manifestação de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista.
Transparência e escolha dos eleitores
A análise defende que todas as suspeitas sejam investigadas e que informações de interesse público sejam reveladas por completo. Também alerta que vazamentos parciais podem distorcer investigações e processos, como teria ocorrido na Lava Jato. Ao mesmo tempo, destaca que Flávio Bolsonaro é, até agora, o único candidato a presidente citado como alguém que pediu e recebeu dinheiro de Vorcaro.
Para a autora, duas medidas seriam necessárias para recuperar a confiança no STF: a realização pública da sessão extraordinária marcada para o dia 15, no plenário, sobre as denúncias do Caso Master, e a liberação integral do material relacionado ao processo.
O texto também recomenda que os eleitores avaliem os projetos políticos dos candidatos, além das disputas entre autoridades. A autora critica a apresentação da experiência de El Salvador como modelo para o Brasil e menciona o regime de Nayib Bukele, além dos relatos do jornalista exilado Carlos Dada sobre o país.
Ao final, a análise defende o diálogo, a proteção dos direitos, o acesso a informações de interesse público e a preservação da legitimidade e da segurança das eleições. A autora encerra com o parágrafo único do artigo inicial da Constituição: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.








