RIO GRANDE DO SUL — A região de Pelotas deve registrar uma redução superior a 50% na produção de pêssegos em relação a 2025, segundo a Emater Regional de Pelotas. O excesso de chuva e umidade, além de episódios de granizo e geadas, prejudicou os pomares durante a floração e o pegamento das frutas.
Adriano Bosenbecker, presidente da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), estima que a safra 2026/27 será a pior dos últimos 15 anos. Na região, foram colhidos cerca de 50 milhões de quilos no ano passado. Para a atual temporada, a previsão é de menos de 25 milhões de quilos.
As áreas atingidas por granizo enfrentam perdas entre 80% e 100%, conforme Bosenbecker. O principal impacto, porém, veio do inverno chuvoso e úmido, de acordo com Edgar Martin Nörenberg, gerente-adjunto da Emater Regional de Pelotas.
“Praticamente não tivemos sol no mês de julho e em agosto, quando os pessegueiros estão em floração”, afirmou Nörenberg. Segundo ele, a falta de condições favoráveis aumentou o risco de doenças e prejudicou a transformação das flores em frutas.
O raleio, prática que retira o excesso de frutos dos galhos para melhorar o tamanho e a qualidade dos pêssegos restantes, quase não será necessário nesta safra. Muitas frutas não se desenvolveram por problemas de polinização ou doenças e caíram das árvores.
Na Serra gaúcha, onde os pêssegos são destinados ao consumo de mesa, os prejuízos são menores até o momento. Thompson Didoné, chefe do escritório municipal da Emater de Bento Gonçalves, relatou ocorrências de granizo em algumas áreas e danos provocados por geadas recentes. Uma avaliação mais precisa da safra deve ocorrer nos próximos dias.
Em Pinto Bandeira, maior produtor de pêssego de mesa do Rio Grande do Sul, há cerca de 1 mil hectares cultivados e 250 fruticultores dedicados à cultura. A previsão de frio na segunda metade de setembro, com possibilidade de novas geadas, preocupa os produtores.
Rubiane Da Campo Rubbo, presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira (Asprofruta), disse que a colheita deve ser menor que a do ano passado, mas ainda é esperada uma boa produção. No município, a chuva durante a floração e o pegamento causou abortamento de frutas em algumas árvores, com impacto considerado insignificante até agora. A possibilidade de um El Niño bem intenso e de novos episódios de granizo também é motivo de preocupação.








