A capacidade limitada para transformar soro de leite em ingredientes proteicos se tornou um dos principais gargalos do mercado de whey protein. No Brasil, cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos são importados, enquanto a indústria nacional ainda tem pouca estrutura para concentrar e fracionar o soro.
O país produz mais de 35 bilhões de litros de leite por ano, segundo o IBGE. Mesmo assim, a capacidade de converter o soro líquido em produtos de maior valor agregado, como o WPC80 e o WPI, é restrita. Para a analista Juliana Santiago, da StoneX, o problema está mais na infraestrutura industrial do que na disponibilidade de matéria-prima.
O processamento exige equipamentos e investimentos. “Quando começou esse 'boom', até as empresas se adaptarem, fazerem o planejamento, adaptações na própria fábrica, tudo isso demora muito tempo”, afirmou Juliana.
Demanda cresce mais que a oferta
O whey é obtido do soro que sobra da fabricação de queijos. A produção desse derivado, portanto, depende da disponibilidade do subproduto. Segundo Valter Galan, sócio da MilkPoint, a produção de queijos no Brasil cresce 4% a 5% ao ano, enquanto o mercado de bebidas proteicas avança em ritmo de dois dígitos há alguns anos.
A procura por alimentos com maior teor de proteína também se espalhou para além dos suplementos. O ingrediente aparece em barras, bebidas lácteas, snacks, chocolates, pães, vinhos e cervejas. A popularização das canetas emagrecedoras deu novo impulso a esse movimento, porque reduziu o apetite e aumentou a preocupação com a ingestão de proteínas.
“Para usar essas canetas, esse público está disposto a comprar mais proteína para não perder massa magra”, explicou Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX. Filipe Bragança, CEO da Integralmedica, empresa com fábrica em Embu-Guaçu (SP), afirmou que pesquisas apontam a presença de consumidores de suplementos em pelo menos metade dos lares brasileiros.
Preços e novos investimentos
O WPC80, concentrado de proteína do soro a 80%, passou de cerca de US$ 10 mil por tonelada no início de 2025 para US$ 28 mil em agosto deste ano nos Estados Unidos. O WPI, com pelo menos 90% de proteína, subiu 47% no período e chegou a US$ 32 mil por tonelada. O WPC34 teve alta de 40%.
No mercado brasileiro, o quilo do WPC80 alcançou R$ 180 em setembro, alta de 24% ante junho, segundo a MilkPoint Mercado.
Sooro Renner e Grupo Piracanjuba estão entre as empresas que investem no segmento. A expectativa de fontes do setor é que novas fábricas ampliem gradualmente o processamento de soro e aliviem a pressão do mercado. Eduardo Serra, CEO da Sooro Renner, afirmou que os preços tendem a se acomodar nos próximos três anos com o aumento da oferta e a substituição por outras proteínas.








