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Doença e densidade desafiam criação de camarão marinho em Jaguariúna

Pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesca e pela Eden Farm avalia a viabilidade técnica e econômica do cultivo em tanques longe do litoral.

Doença e densidade desafiam criação de camarão marinho em Jaguariúna
Foto: Divulgação

A Síndrome da Nim, também chamada de mionecrose infecciosa, é o principal obstáculo para a criação de camarão marinho em tanques no interior paulista. Em Jaguariúna, Fábio Sussel conduz há quatro anos uma pesquisa para avaliar se o cultivo pode ser tecnicamente viável e rentável longe do litoral, a cerca de 200 km do mar.

O estudo é uma parceria público-privada entre o Instituto de Pesca e a Eden Farm, empresa que distribui camarão premium em São Paulo, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola. A estrutura tem sete tanques de cultivo instalados em duas estufas fechadas.

Água salgada e controle biológico

Segundo Sussel, a salinidade não é o principal problema do sistema. A água recebe seis sais para reproduzir o balanço iônico da água do mar. Como não é trocada, passa por tratamento biológico com filtragem.

O vírus associado à Síndrome da Nim está presente na água marinha e chega ao sistema junto com as pós-larvas compradas da Aquatec, no Rio Grande do Norte. Houve ciclos sem manifestação da doença, mas também períodos em que as perdas ultrapassaram 80%.

“Sou resiliente na busca pelo pacote tecnológico certo”, afirma Sussel. O manejo inclui probióticos na água e na ração, imunoestimulantes e cuidados nutricionais, em uma tentativa de equilibrar o patógeno e o hospedeiro. Crustáceos não desenvolvem memória imune adaptativa e não há vacina para camarões, como ocorre com tilápias ou salmão.

A busca por viabilidade financeira exige alta concentração nos tanques. Na pesquisa, são 500 camarões por metro quadrado em estruturas de 100 metros cúbicos. Em viveiros escavados do Nordeste, a densidade fica entre 10 e 15 por m². A concentração maior, porém, também eleva o risco de perdas quando a doença aparece.

Mudança no mercado

No início, os camarões eram abatidos e vendidos ao consumidor final após um ciclo de 200 dias, com 17 gramas. Atualmente, Sussel comercializa exemplares de 5 a 6 gramas como isca viva para a pesca esportiva do robalo. Esse mercado permite um ciclo de 100 dias e, segundo o pesquisador, é mais rentável.

Quando a doença se manifesta, a sobrevivência pode cair para 24%, nível que não cobre os custos. Sem a doença, chega a 80%, com possibilidade de lucro. A produtividade também varia de 30% a 40% entre um ciclo e outro.

Para reduzir os custos, a fazenda passou a receber eventos técnicos gastronômicos e treinamentos corporativos. As atividades incluem orientações sobre abate humanitário com água muito fria, limpeza, preparos simples e degustação.

Produção concentrada no Nordeste

A insistência no camarão marinho também está ligada à baixa produtividade do camarão de água doce. Sussel explica que os exemplares marinhos são gregários, enquanto os machos da espécie de água doce são territorialistas e brigam.

A Região Nordeste concentra 99,7% da produção brasileira, em cultivos que muitas vezes ficam a pelo menos 100 km do mar e usam águas salobras. A salinidade média dos oceanos é de 35 per mil, mas o camarão marinho pode ser criado com 0,5 per mil.

O Brasil produz 260 mil toneladas anuais de camarão, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarão. A pesca extrativa acrescenta 60 mil toneladas anuais, de acordo com dados do Instituto de Pesca.

No Rio Grande do Norte, a Camanor foi fundada pelo suíço Werner Jost há 44 anos. A empresa opera uma unidade de 119 hectares em Canguaretama, onde capta água de estuários, e outra fazenda de 140 hectares em Guamaré, com água totalmente salgada.

A companhia realiza todas as etapas, da reprodução em laboratório ao beneficiamento. A chegada do vírus da mancha branca ao Brasil, em 2002, afetou a produção. Em 2011, a sobrevivência média nos tanques caiu de 80% para 10%, segundo Marisa Sonehara, diretora de produção e sócia da empresa.

Em 2018, a Europa suspendeu as importações de pescados brasileiros. A Camanor reduziu a área de produção de mais de 600 hectares para 250 hectares e atualmente produz 1.700 toneladas anuais para o mercado interno. A empresa chegou a enviar 22 mil contêineres de camarão inteiro com casca por mês para a Europa.

Marisa afirma que o setor precisa de uma genética mais robusta e enfrenta aumento nos custos de insumos e logística. Para a empresa, a rentabilidade ideal seria de 40%, mas atualmente fica entre 10% e 15%, com períodos de empate.

Conservação do produto

Sussel também destaca que o sabor e a textura dependem do abate e da conservação. O congelamento correto do camarão inteiro pode preservar o frescor por dois anos. Já falhas na cadeia do frio podem resultar em amargor e perda de qualidade.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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