SÃO PAULO — O Brasil pode precisar importar perto de 9 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, diante da redução da oferta nacional. A estimativa foi apresentada por Daniel Kümmel, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), na abertura do 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo, nesta quinta-feira (24/9).
As projeções atuais indicam importações de aproximadamente 7,5 milhões de toneladas. Para a Abitrigo, porém, a necessidade efetiva pode chegar a cerca de 9 milhões de toneladas. A entidade estima a produção brasileira em cerca de 5,7 milhões de toneladas e afirma que o clima provocou perdas, enquanto parte do volume disponível já está comprometida.
Kümmel afirmou que o volume total colhido não é suficiente para avaliar o abastecimento da indústria. “Para a moagem, o volume total produzido não conta toda a história”, disse. Segundo ele, os moinhos precisam considerar o período em que o cereal estará disponível, a localização da produção e o atendimento às especificações de qualidade exigidas.
Dependência do mercado externo
Em São Paulo, o avanço da produção local e a proximidade das lavouras com os moinhos não eliminam a dependência estrutural do trigo importado. A capacidade de moagem e o tamanho do mercado consumidor do Estado mantêm a necessidade de compras externas. “O trigo paulista e o trigo importado se complementam neste momento. O abastecimento da indústria tem que ser preservado”, afirmou Kümmel.
Argentina e Paraguai devem permanecer como os principais fornecedores do Brasil. O executivo citou dificuldades qualitativas do cereal argentino e disse que a Rússia também pode contribuir, mas com participação limitada pelas exigências sanitárias do governo brasileiro.
Uma necessidade maior de importação levaria o país a buscar volumes adicionais nas mesmas origens, dentro de uma janela relativamente concentrada.








