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Whey ganha valor e impulsiona investimentos na indústria de lácteos

Alta da demanda por proteínas eleva preços do soro e estimula novas plantas de WPC, WPI e outros ingredientes lácteos.

Whey ganha valor e impulsiona investimentos na indústria de lácteos
Foto: Divulgação

A procura por ingredientes com alto teor de proteína elevou o valor do soro do leite e estimulou investimentos em novas fábricas no setor de lácteos. Subproduto da fabricação de queijo, o soro passou a ser usado em maior escala para produzir whey e outros ingredientes destinados à alimentação humana.

O Brasil ainda depende de importações de produtos como o WPC (Whey Protein Concentrado) e o WPI (Whey Protein Isolado). A pressão sobre a oferta fez os preços subirem no mercado internacional e no país. Levantamento da StoneX mostra que o WPC80, concentrado com 80% de proteína do soro, quase triplicou nos Estados Unidos: passou de cerca de US$ 10 mil por tonelada no início de 2025 para US$ 28 mil em agosto deste ano.

O WPI, com pelo menos 90% de proteína, teve alta de 47% no mesmo período e chegou a US$ 32 mil por tonelada. Já o WPC34, de menor concentração, subiu 40%. No Brasil, o WPC80 dos Estados Unidos chega a cerca de R$ 160 mil por tonelada, considerando impostos e custos de importação.

A analista de inteligência de mercado da StoneX, Juliana Torres Santiago, atribui o movimento à combinação entre o avanço da demanda e a demora para ampliar a oferta. Marcel de Barros, CEO da Tirolez, afirmou que o crescimento da procura por proteína concentrada não foi acompanhado pela disponibilidade de soro gerado na fabricação de queijos.

Empresas ampliam processamento

A Tirolez adquiriu a planta do grupo Barbosa & Marques, em recuperação judicial, em Governador Valadares (MG). A unidade tem capacidade para processar e secar 480 mil litros de soro por dia e opera no limite, segundo Barros. A empresa arrenda a planta desde 1 de julho, mas a conclusão da compra depende do processo de recuperação judicial.

A Sooro Renner, que fornece ingredientes para outras indústrias, tem unidades em Marechal Cândido Rondon (PR) e Estação (RS). Sua produção anual inclui 8 mil toneladas de WPC80 e cerca de 2 mil toneladas de WPI. Após a fusão com a Relat, do grupo Renner Hermann, em 2019, a companhia planejou dobrar a capacidade de proteínas.

Em 2024, a Sooro decidiu construir uma unidade em Francisco Beltrão (PR), com início previsto para o segundo semestre de 2027. O investimento será superior a R$ 1 bilhão, e a nova planta deverá dobrar a capacidade atual de produção de WPC80 e WPI. A empresa também prepara formulações voltadas à nutrição infantil e ao público sênior.

A Lactalis mantém uma fábrica de WPC integrada à unidade de queijos em Três de Maio (RS). O soro chega à produção de whey por tubulação, em circuito fechado. Para Guilherme Portella, diretor de comunicação, assuntos regulatórios e corporativos da Lactalis Brasil, o mercado brasileiro ainda tem espaço para crescer.

Novas plantas integradas

As bebidas proteicas movimentam cerca de 80 milhões de litros por ano, segundo a MilkPoint, enquanto as bebidas UHT tradicionais chegam a quase 500 milhões de litros. Valter Galan, sócio da consultoria, afirma que as bebidas proteicas vêm crescendo acima de um dígito nos últimos anos.

Como a oferta de soro é insuficiente, alguns projetos já preveem plantas de proteína acopladas às fábricas de queijo. O Grupo Piracanjuba investiu mais de R$ 500 milhões em um complexo industrial em São Jorge d’Oeste (PR), com produção integrada de queijo, manteiga, whey protein e lactose em pó. A fábrica está em construção e deve produzir até 6 mil toneladas anuais de whey protein.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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