A Girassol Agrícola projeta crescimento de 5% em 2026, sobre o faturamento de R$ 1,1 bilhão registrado em 2025, apoiada na expansão do tratamento industrial de sementes. A tecnologia já representa cerca de 15% da receita da companhia com sementes.
A empresa planeja aumentar em 25% a capacidade de tratamento e prevê aplicar entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões na ampliação de uma das principais unidades. A conclusão do projeto está prevista para 2027. Segundo Rodrigo Campos Lopes, gerente de marketing da Girassol, a estrutura será duplicada para acompanhar a demanda.
Dados da consultoria Céleres indicam que 53% das sementes de soja comercializadas para a safra 2026/27 receberam tratamento industrial. Na safra 2021/22, essa participação era de 31%. Na Girassol, mais de 95% das sementes destinadas ao próximo ciclo já têm a tecnologia.
“O produtor vem ganhando conhecimento técnico e profissionalização”, afirma Lopes. Na avaliação dele, a diferença de custo em relação aos riscos caiu e o tratamento passou a ter maior peso nas decisões do produtor. As próprias sementeiras também investem no recurso para diferenciar seus produtos em um mercado de margens menores.
O tratamento industrial aplica fungicidas, inseticidas, nematicidas, micronutrientes e outros produtos diretamente nas sementes antes da venda. A finalidade é proteger a cultura nos primeiros dias de desenvolvimento, fase em que a germinação e o vigor da planta podem ser afetados por nematoides, pragas e doenças.
A expectativa de um episódio de El Niño no próximo ciclo é apontada pela empresa como outro fator de atenção. O fenômeno tende a provocar períodos mais longos sem chuva em áreas do Cerrado e mais precipitações na região Sul. Nesse cenário, a incidência de nematoides pode ganhar relevância.
A diferença de preço entre o tratamento industrial e o tratamento feito na propriedade rural, chamado de “on farm”, varia de 10% a 15%, segundo a Girassol. Lopes afirma que o custo adicional é compensado pelo desempenho da lavoura e que a tecnologia deixou de ficar concentrada entre os grandes produtores.
Mesmo com a aposta no segmento, a empresa prevê dificuldades para o mercado de sementes nos próximos anos. Entre os fatores citados estão o custo do dinheiro, o excesso de capacidade instalada e o endividamento acumulado durante o ciclo de alta das commodities. Para Lopes, não há indicação de melhora desse cenário nos próximos dois, três anos, salvo uma mudança relevante na relação da commodity.








