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Medição em dois metros amplia leitura do carbono no solo de fazenda paulista

Inventário da Fazenda São Pedro da Mantiqueira foi verificado pela KPMG e aponta remoção superior às emissões de gases de efeito estufa.

Medição em dois metros amplia leitura do carbono no solo de fazenda paulista

A Fazenda São Pedro da Mantiqueira mediu o carbono do solo até 2 metros de profundidade e encontrou uma concentração maior abaixo da faixa normalmente considerada nos inventários. Entre 30 centímetros e 2 metros, o talhão analisado armazenou 330,67 tCO2eq/ha, contra 267,08 tCO2eq/ha nos primeiros 30 centímetros.

A propriedade também apresentou balanço negativo de gases de efeito estufa. Isso significa que a remoção de carbono superou as emissões associadas ao uso de combustível, à atividade do rebanho, à aplicação de fertilizantes e ao consumo de energia elétrica.

Três formas de medir o carbono

O inventário da Agropecuária São Pedro da Mantiqueira Ltda., do Grupo Roncador, corresponde à safra 2023/2024. O trabalho foi elaborado pela pesquisadora Susian Christian Martins, mestre em ciência do solo e nutrição vegetal e doutora em ciências, e verificado de forma independente pela KPMG.

A análise considerou os gases CO₂, CH₄ e N₂O, convertidos em CO₂-equivalente pelos potenciais de aquecimento global do IPCC (AR5). O cálculo do carbono no solo usou três abordagens: Tier 2, com fatores nacionais; Tier 3, baseado em fatores locais; e Tier 3 Métrico, que utiliza amostras de campo analisadas em laboratório pelo método CHN.

A abordagem métrica busca retratar diretamente o carbono presente no solo. Já os fatores padronizados são mais conservadores e não capturam necessariamente os efeitos do Sistema Regenerativo Integrado Roncador sobre o armazenamento de carbono.

O que entra no fluxo anual

Além do estoque permanente, o trabalho separa o chamado carbono efêmero. Trata-se do carbono fixado e retido temporariamente ao longo de um ano, sem ser confundido com sequestro permanente nem com o balanço de gases de efeito estufa verificado.

Foram considerados o carbono que vira produto e deixa a fazenda, como o grão de soja e a massa corporal do boi, além da parcela que se humifica no solo e tende a permanecer por muito tempo. Na pecuária, o cálculo desconta o carbono respirado pelo animal, convertido em metano ou eliminado nas fezes e na urina. Entram apenas as frações retidas em tecido corporal, na biomassa dos microrganismos do solo e no esterco estabilizado.

Ficaram fora dessa conta as reservas de alimento mantidas na fazenda, como grão de milho, silagem, sorgo e snaplage. Esses materiais podem permanecer armazenados por até dois anos como estratégia de segurança alimentar do rebanho.

A profundidade ainda é uma questão

O GHG Protocol e outros inventários de carbono costumam considerar o solo até 30 centímetros. Na Fazenda São Pedro da Mantiqueira, a medição avançou até 2 metros porque foram observadas raízes vivas nessa profundidade e sinais de matéria orgânica descendo pelo perfil.

A diferença entre as camadas medidas levanta uma hipótese: em solos tropicais profundos, parte do carbono pode estar abaixo da faixa usada como padrão. A confirmação de que esse estoque profundo aumenta sob bom manejo ainda é apresentada como etapa futura de investigação, e não como dado auditado.

Os trabalhos técnicos, incluindo a retirada das amostras e a compilação dos resultados das análises CHN, foram conduzidos por Susian Christian Martins. A verificação do balanço ficou a cargo da KPMG. A reflexão sobre a profundidade do solo é de Pelerson Penido Dalla Vecchia, produtor rural.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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