PORTO ALEGRE — O vereador Giovane Byl (Podemos), candidato a deputado estadual, foi preso preventivamente nesta sexta-feira (18), durante a Operação Cinesia. A investigação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apura o possível desvio de mais de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas à saúde e repassadas pelo Fundo Municipal de Saúde.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em Porto Alegre e Imbé, no Litoral Norte. Também foram presos um assessor, um advogado e um ex-dirigente da organização da sociedade civil que recebeu os valores para executar projetos de saúde. O advogado, conforme o MPRS, já havia participado da direção da entidade.
A apuração aponta que os recursos eram retirados das contas específicas dos projetos e encaminhados para contas sem restrição de uso da organização. Depois, os valores teriam sido direcionados a empresas e pessoas investigadas. Uma empresa relacionada à gestão da entidade recebeu mais de R$ 1,9 milhão.
O Ministério Público também identificou sinais de que as contas submetidas à fiscalização teriam sido recompostas para aparentar normalidade. Após a solicitação de extratos bancários, o grupo teria contratado empréstimos em nome da organização para repor parte do dinheiro nas contas monitoradas.
Candidatura e posicionamentos
Byl exerce o segundo mandato na Câmara Municipal de Porto Alegre. Ele foi reeleito em 2024 com 12.115 votos e concorre neste ano a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos. Na eleição para o governo estadual, o partido faz parte da coligação “O Rio Grande Pode Mais”, formada em torno da candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo e de Silvana Covatti (PP) à vice-governadoria. Para a Presidência, a direção nacional do Podemos decidiu não apoiar formalmente nenhum candidato.
A investigação está sob sigilo e é coordenada pela promotora Roberta Brenner de Moraes, com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Brigada Militar. O MPRS informou que a atual gestão da organização não é alvo dos fatos investigados e tem colaborado com o envio de documentos e informações.
Em nota assinada pelo presidente Moisés Barboza, a Câmara Municipal de Porto Alegre disse ter sido surpreendida pela operação, que também teve diligências em dependências do Legislativo. A instituição afirmou que fornecerá os documentos e dados solicitados e defendeu o respeito ao devido processo legal e à ampla defesa, “sem qualquer julgamento antecipado acerca dos fatos ou de eventuais responsabilidades”.
O diretório estadual do Podemos RS declarou que tomou conhecimento da operação nesta sexta-feira (18), respeita a atuação das autoridades e aguarda o esclarecimento dos fatos. A legenda afirmou que acompanhará a investigação, colaborará com as instituições e tomará as medidas de sua competência. “Recursos destinados à saúde devem cumprir integralmente sua finalidade e beneficiar a população”, disse o partido.
Até a publicação, não havia manifestação da defesa de Byl. A investigação continua em andamento.








