SÃO PAULO — Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e dirigente do União Brasil no estado, é alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta. Deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), a ação investiga suspeitas de participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo e em estruturas do poder público paulista.
Ao todo, são 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. A apuração aponta que ao menos 12 empresas de ônibus estariam sob controle direto ou indireto de integrantes da facção. Os investigadores também analisam possível financiamento de campanhas eleitorais pelo crime organizado.
Atuação política
Leite deixou o Legislativo paulistano no fim de 2024, depois de sete mandatos consecutivos. Ele assumiu o cargo em 1997 e presidiu a Câmara seis vezes, conforme o perfil oficial mantido pela Casa. Mesmo fora do mandato, manteve influência na política paulista e passou a liderar, com o deputado Maurício Neves, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP no estado.
Em 2026, Leite participou da articulação política em torno de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro. Em janeiro, após uma reunião no Palácio dos Bandeirantes com o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, confirmou o apoio da federação a Tarcísio. Mais tarde, União e PP definiram a reeleição do governador como uma das prioridades no estado.
A aproximação com Flávio Bolsonaro foi exposta em 20 de julho, durante uma convenção da União Progressista na Assembleia Legislativa. Na presença do senador, de Tarcísio e de outras lideranças, Leite chamou Flávio de “nosso candidato a presidente”. O diretório paulista da federação também declarou apoio à candidatura dele ao Planalto.
Relação com investigações anteriores
O nome de Leite já havia aparecido em apurações envolvendo a Transwolff, empresa investigada pelo Ministério Público por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Em 2024, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-vereador. Na ação ligada à Operação Fim da Linha, porém, ele não foi denunciado e apareceu como testemunha.
Um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar retomou o nome de Leite em 2026, após encontrar mensagens de policiais que faziam segurança particular para dirigentes da Transwolff. Em uma delas, o sargento da reserva Nereu Aparecido Alves se referia ao político como “chefe”.
Leite negou conhecer o policial e disse que, quando presidia a Câmara, sua segurança era feita pela Assessoria Militar oficial do Legislativo. Também negou participação em crimes ou vínculos com o PCC.
Na Operação Vectura Corrupta, a situação é diferente da investigação de 2024: desta vez, Milton Leite está entre os alvos de um mandado de prisão. Até a divulgação das primeiras informações da ação, sua defesa ainda não havia se manifestado sobre as acusações.








