Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro registram pedidos associados ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques e a um contrato de até R$ 427 milhões firmado com um escritório de advocacia. Os arquivos foram enviados pela Polícia Federal aos ministros do STF nesta segunda-feira (21).
A chamada “Turma do KN” era formada pelo desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e pela esposa dele, a advogada Camilla Ramos. Por meio do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, Camilla fechou um contrato para atuar na liberação do pagamento de R$ 8,5 bilhões em precatórios para Vorcaro.
O acordo previa serviços em causas do setor sucroalcooleiro relacionadas a indenizações pelo controle de preços exercido pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Os honorários correspondiam a 5% líquidos sobre os valores recebidos em 12 processos e poderiam alcançar R$ 427 milhões em caso de êxito.
Pedidos e benefícios
As conversas indicam que Newton e Camilla repassavam a Vorcaro solicitações atribuídas a Kassio Nunes Marques. Entre elas estavam uma diária no hotel Fasano, a reserva de uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval, a organização de uma viagem de 10 dias para cinco pessoas e o transporte em jato particular até Maceió para o aniversário da mulher do desembargador.
No Carnaval de 2025, uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, foi alugada por R$ 1,45 milhão durante uma semana para receber o ministro, identificado nas mensagens como “KN”. O imóvel pertencia ao ator Márcio Garcia. Em outra conversa, uma pessoa cobrava R$ 10 mil de Vorcaro por um encontro de uma garota que “ficou com o Kassio”.
Em uma das trocas, o auxiliar Leo Serrano Giunchetti informou que Newton havia pedido uma reserva no hotel: “Fasano Itaim essa sexta a sábado para KN”. Em seguida, uma assessora encaminhou a Vorcaro uma solicitação para que o ministro recebesse uma tarifa promocional de uma diária. Vorcaro autorizou que a despesa fosse colocada em sua conta.
Julgamento dos precatórios
O caso de interesse de Vorcaro foi analisado pela Segunda Turma do Supremo e serviria de referência para os demais julgamentos sobre precatórios de usinas de cana-de-açúcar. Kassio Nunes, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram pelo reconhecimento do débito; Gilmar Mendes e André Mendonça divergiram.
Nas mensagens, Camilla comemorou o voto de Kassio. Nunes Marques havia declarado impedimento anteriormente, mas mudou de posição. Toffoli, que tinha votado contra a indenização, também alterou seu voto.
Na semana passada, ao analisar mensagens vazadas do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro, Kassio Nunes declarou-se impedido de julgar o colega. No mesmo dia, vieram a público mensagens em que Vorcaro autorizava um pagamento mensal de R$ 500 mil ao filho do ministro.









