RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o fim das casas de apostas online no Brasil. Durante um ato de campanha com artistas, nesta quarta-feira (23), ele afirmou que pretende proibir o setor e criticou clubes de futebol contrários a restrições às plataformas.
“Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets”, disse Lula. O presidente também declarou que pretende regular as plataformas e associou a medida ao combate à ludopatia, ao vício em jogos de azar e apostas.
Lula afirmou que parte dos jovens está vinculada aos algoritmos e disse que o poder público precisa agir para impedir que eles ampliem a influência sobre a população. Ele também rejeitou a avaliação de dirigentes de que a interrupção das apostas comprometeria a sobrevivência dos clubes.
Críticas aos clubes
Para contestar esse argumento, o presidente citou conquistas de equipes obtidas sem patrocínio de casas de apostas. Mencionou o Santos, que classificou como um dos melhores times que o mundo já conheceu, além do Flamengo, campeão mundial em 1981. Também lembrou títulos mundiais de Corinthians, Internacional, Grêmio e São Paulo.
Na avaliação de Lula, o torcedor de menor renda paga pelo consumo ligado ao clube e acaba financiando a publicidade das bets. “É o pobre que joga, é o pobre que fica doente, é o pobre que se mata”, afirmou. Em seguida, disse que os times deveriam aprender a funcionar sem esse dinheiro e associou a permanência das apostas à lavagem de dinheiro.
O encontro reuniu Chico Buarque, Paulinho da Viola, Marieta Severo e Russo Passapusso. A fala desta quarta-feira repete uma promessa feita por Lula na semana passada, durante ato em Guarulhos (SP). Na terça-feira (22), ele também criticou o setor em discurso na Assembleia Geral da ONU.
Reunião no governo
Mais cedo, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com Dario Durigan, Miriam Belchior, Bruno Moretti, Wellington César e Sidônio Palmeira, além de Gabriel Galípolo. O encontro terminou sem conclusão, conforme participantes.
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quarta-feira aponta que 75% dos entrevistados apoiam a proibição das bets. No mesmo levantamento, 36% atribuíram a Lula a responsabilidade pela disseminação das apostas no país.
Na semana passada, clubes e federações estaduais divulgaram um manifesto em defesa de um mercado regulado. A mobilização começou em São Paulo e chegou a Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O documento afirma que a proibição poderia levar ao fim do futebol brasileiro e sustenta que os patrocínios das empresas autorizadas estão entre as principais receitas do esporte, inclusive para equipes menores e divisões de acesso.
O governo relaciona a expansão das plataformas ao aumento do endividamento das famílias e dos casos de ludopatia. Lula ainda não apresentou, no material disponível, uma decisão final sobre o formato da medida ou sobre o envio de uma proposta ao Congresso. O calendário citado para o anúncio oficial é a última semana antes do primeiro turno, em 4 de outubro.








