A Go7 Assessoria Produção e Marketing Cultural recebeu pelo menos R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização investigada pela Polícia Federal por suspeitas de desvios de emendas parlamentares. A transferência foi mencionada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou a operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira, 10.
A empresa tem ligação com a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma das linhas de investigação é verificar se parte dos recursos recebidos pela Go7 foi usada para financiar a produção. A GoUp Entertainment, produtora do filme, e Karina Gama, representante das empresas, também foram alvo de busca e apreensão. Ao todo, foram expedidos 49 mandados. O deputado federal Mário Frias está entre os alvos.
Transferências sob análise
Segundo a PF, Mário Frias destinou emendas de R$ 2 milhões ao ICB. A entidade também firmou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos de Wi-fi na periferia da capital.
O repasse de R$ 1 milhão à Go7 ocorreu em uma única transferência, em data não especificada entre 1º de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026. Criada por Karina Gama em 2005, a empresa não aparece formalmente como produtora de Dark Horse no registro da Agência Nacional do Cinema (Ancine). O nome da Go7, porém, consta no material de apresentação do filme como parte da joint venture que formou a GoUp Entertainment.
A investigação também identificou pagamentos do ICB de R$ 700 mil à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. A NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
A PF afirma que ainda não há comprovação de ligação direta entre os recursos públicos recebidos pelo ICB e os repasses indiretos à produtora. A proximidade entre as datas, no entanto, foi considerada relevante para a análise das movimentações.
Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a GoUp Entertainment movimentou R$ 19.033.071,00. No período, recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil do deputado Mário Frias. As filmagens ocorreram entre outubro e dezembro de 2025.









