Um levantamento de checagem aponta que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez ao menos 43 declarações enganosas nos últimos sete meses ao tentar se desvincular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e das investigações envolvendo o Banco Master. A análise identificou cinco estratégias, incluindo a negação de conversas com o empresário e versões contraditórias sobre viagens em aeronaves ligadas a sócios do banco.
Mudanças sobre as conversas
Em 13 de maio, questionado sobre mensagens trocadas com Vorcaro para negociar R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse”, Flávio negou as informações e chamou o jornalista que fazia a pergunta de “militante”. Horas depois, confirmou a autenticidade dos diálogos em um vídeo publicado nas redes sociais.
Na nova versão, afirmou que se tratava de “um filho buscando investimento privado para o filme do pai” e disse que não havia suspeitas contra Vorcaro quando os contatos ocorreram. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal, porém, mostram que o senador chamava o banqueiro de “irmão” e “irmãozão”. Documentos também registram tentativas de contato telefônico de Flávio com Vorcaro nos quatro dias anteriores à prisão do empresário.
Recursos para o filme
O senador também afirmou que uma perícia havia comprovado a ausência de dinheiro público na produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. A auditoria foi contratada e paga pela produtora do filme. Em depoimento e relatórios enviados à Justiça, o perito responsável informou que não teve acesso a 70% das movimentações financeiras feitas em contas nos Estados Unidos.
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União apuram a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mário Frias a institutos administrados por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora de “Dark Horse”. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Flávio Dino e investiga se recursos públicos foram desviados para financiar o filme e despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Voos e outras divergências
Flávio passou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, alegando que ele teria usado uma aeronave ligada a empresas de Vorcaro. Documentos da Polícia Federal indicam, contudo, que o próprio senador viajou no mesmo jatinho, um Gulfstream G200, em um trajeto entre os Estados Unidos e o Brasil. A aeronave pertence à Prime You, empresa da qual Vorcaro detinha um terço das cotas.
Ao ser questionado, Flávio disse que o avião pertencia a um advogado, sem mencionar a participação societária do empresário. A afirmação diverge de declarações anteriores nas quais dizia nunca ter viajado em aeronaves de Vorcaro.
O levantamento também registra a alegação, sem comprovação técnica, de que uma foto do senador ao lado de um investigado conhecido como Sicário seria uma montagem feita por Inteligência Artificial. Flávio afirmou ainda apoiar a instalação de uma CPI do Banco Master, mas assinou apenas dois dos cinco requerimentos apresentados no Senado. Em março, disse não conhecer Vorcaro após seu telefone aparecer na agenda do empresário; dois meses depois, abandonou essa versão com a divulgação de áudios e mensagens entre os dois.









