FORTALEZA — O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) classificou como positiva a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), realizada em meio à crise envolvendo o Banco Master. Em evento de campanha, ele afirmou que ministros atuantes na Corte tentaram proteger Alexandre de Moraes.
O julgamento terminou com placar de 4 a 3 pela manutenção das análises separadas sobre as condutas de Moraes, relacionadas a Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, responsável pela condução do relatório do caso Master. A sessão foi suspensa depois que Flávio Dino pediu vista. Ele havia votado inicialmente pela análise conjunta dos casos.
Flávio Bolsonaro disse que Moraes será investigado por crimes em tese, mas atribuiu a interrupção do julgamento à atuação de ministros que chamou de ligados ao governo Lula. “Todo mundo viu que os ministros do Lula trabalharam forte para blindar o Alexandre de Moraes”, afirmou.
O candidato também declarou que, se for eleito presidente, indicará cinco ministros para o STF. Segundo ele, os escolhidos deverão ser contrários ao aborto e às drogas, além de respeitar a Constituição.
Apoio no Ceará e propostas
Questionado sobre a possibilidade de buscar o apoio de Ciro Gomes (PSDB), candidato ao Governo do Ceará pela oposição, Flávio respondeu que vencerá a eleição no primeiro turno. Ciro é apoiado pelo PL no estado, mas não declara apoio oficial a nenhum candidato à Presidência e adotou a estratégia de não misturar as disputas estadual e nacional.
Na segunda-feira (14), Ciro havia descartado um encontro com Flávio durante a visita do candidato ao Ceará.
Durante o ato em Fortaleza, Flávio prometeu classificar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações terroristas. Também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos e disse que pessoas nessa idade deveriam poder tirar a carteira de motorista.
Na área de violência contra a mulher, criticou os índices de feminicídio e defendeu a castração química para agressores. Ele afirmou que mulheres seriam protegidas em seu governo e associou ao governo Lula um número superior a 6 mil assassinatos de mulheres.
Análise no Supremo
A sessão extraordinária do STF havia sido marcada para decidir se a Corte abriria investigação contra Alexandre de Moraes por sua suposta citação no caso do Banco Master.
A crise começou depois que André Mendonça liberou relatórios da Polícia Federal. Os documentos apontaram 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro, além de um contrato de R$ 130 milhões. A divulgação provocou confronto entre ministros, com acusações de liberação seletiva de dados.








