Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL à Presidência da República, utilizou durante a campanha eleitoral deste ano um apartamento pertencente à empresa do advogado Willer Tomaz. O imóvel fica em São Paulo e foi usado pelo senador por alguns dias na primeira quinzena de agosto para reuniões com a equipe, definição de estratégias e gravação de vídeos para o horário eleitoral.
Tomaz foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em 4 de agosto, em uma fase da operação Sem Desconto, que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF apontou indícios de que o advogado atuava como “hub financeiro, patrimonial e logístico” de políticos e em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao senador Weverton Rocha (PDT).
Os investigadores afirmam que Tomaz repassou R$ 11 milhões à mulher de Weverton Rocha e comprou uma casa para o senador. O advogado negou vínculo com o esquema e disse que não é investigado. Segundo ele, os repasses ocorreram porque a mulher do senador é associada há vários anos ao escritório de advocacia.
Histórico do imóvel
Antes de ser adquirido pela WT Administração de imóveis, empresa de Tomaz, o apartamento pertencia a Fabiano Zettel, apontado como integrante de uma organização criminosa ligada às fraudes do Banco Master. Zettel comprou o imóvel em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões e o vendeu em 10 de fevereiro de 2026 por R$ 3,5 milhões.
O apartamento tem 158,87 metros quadrados, três vagas de garagem, sala e varanda gourmet. Durante a campanha, ficava a cinco minutos do comitê de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Procurado por sua assessoria, Flávio não respondeu aos pedidos de esclarecimento até o fim da noite da quarta-feira, 16. Ele afirmou que apenas se hospedou em hotéis da região.
Tomaz disse que não conhece Zettel nem Daniel Vorcaro. “Willer Tomaz lamenta que adversários políticos tentem atacar, sem qualquer fundamento, suas atividades a fim de interferir no debate eleitoral”, afirmou.








