A decisão de Kassio Nunes Marques de se declarar impedido em um julgamento envolvendo Alexandre de Moraes provocou críticas entre aliados do bolsonarismo. Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro, o ministro era considerado nos bastidores um possível voto favorável a André Mendonça e à investigação contra Moraes.
Nunes Marques deixou a sessão após afirmar que sua participação poderia afetar o processo eleitoral. Ele preside atualmente o Tribunal Superior Eleitoral. No plenário, declarou: “Eu não tenho dúvida, e os debates vão influir [nas eleições], que esse julgamento pode impactar o processo eleitoral. Então não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido”.
O ministro diferenciou o impedimento da suspeição, categorias jurídicas distintas. A justificativa não convenceu representantes da oposição no Congresso. Sóstenes Cavalcante, líder da oposição na Câmara, disse que Nunes Marques deveria ter participado da votação. Já o senador Carlos Portinho afirmou que o episódio poderia levar à conclusão de que os ministros estariam impedidos ou suspeitos.
Reação no grupo bolsonarista
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência avaliaram que o afastamento prejudicou André Mendonça. Um deles afirmou, sob reserva: “Quando ele faz isso, admite que há motivação política. Um tiro no pé do André Mendonça”.
Também circulou entre apoiadores uma interpretação relacionada à proximidade entre Kevin Marques, filho de Nunes Marques, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As conversas mencionadas no caso incluem um pagamento de R$ 500 mil feito pelo banqueiro por uma suposta consultoria tributária. O valor teria aparecido em mensagens trocadas entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do Master.
Na sessão desta terça-feira, 15, Nunes Marques negou qualquer irregularidade. O julgamento pode definir o futuro de Alexandre de Moraes e envolve revelações sobre a proximidade do ministro com Vorcaro.








