SÃO PAULO — As negociações para viabilizar a privatização da Sabesp aproximaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) do então presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. O acordo também envolveu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e passou por interesses eleitorais para 2024.
A relação ficou pública em 17 de janeiro de 2024, durante um evento na Vila Emir, na zona sul da capital paulista. Na ocasião, Tarcísio elogiou Leite diante de apoiadores do vereador. “Que o Milton é querido, tudo bem, a gente já sabia. Agora, lindão?”, afirmou o governador.
Naquele período, Leite mantinha parado na Câmara o projeto de privatização da Sabesp. A proposta, uma das principais bandeiras da campanha de Tarcísio em 2022, dependia da aprovação do Legislativo municipal por causa de uma cláusula no contrato da companhia com o município de São Paulo.
Em outubro de 2023, Leite havia criticado a condução das negociações e dito que não abriria mão dos direitos da cidade. Ao mesmo tempo, usava a pré-candidatura do deputado federal Kim Kataguiri à Prefeitura de São Paulo para pressionar Nunes. O União Brasil, partido liderado por Leite na capital, tinha sete vereadores e era considerado importante para formar maioria na Câmara.
Acordos políticos
Nunes apoiou a escolha do vereador Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara Municipal. Com isso, o comando da Casa permaneceu com o partido de Leite. Tarcísio, por sua vez, garantiu o retorno da influência do ex-vereador no Palácio dos Bandeirantes. A indicação de Arthur Lima, do União Brasil, para a Casa Civil ocorreu após a saída de Gilberto Kassab (PSD), conforme o arranjo descrito.
Depois desses entendimentos, a tramitação da proposta de privatização avançou na Câmara Municipal. A cláusula que impedia a venda da estatal à iniciativa privada foi derrubada.
Operação contra infiltração do PCC
Nesta quinta-feira (17), a operação Vectura Corrupta atingiu Milton Leite e Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual. A ação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo.
A prisão de Leite foi decretada, e ele é considerado foragido pela polícia. Morgado foi preso. A operação é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Gaeco e do Ministério Público de São Paulo.
A Polícia Civil identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Segundo a corporação, os indícios apontam para a possível atuação de integrantes e intermediários da facção em empresas e processos de licitação na capital.








