Registros de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e dados do Registro Aeronáutico Brasileiro confirmam que Flávio Bolsonaro viajou, em 19 de janeiro de 2025, em um avião de propriedade compartilhada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso durante uma investigação sobre crimes financeiros.
O senador e candidato à Presidência estava em um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, no trajeto entre a Flórida e Brasília. Ele viajava com a esposa, as duas filhas e o advogado e empresário Willer Tomaz, que também era dono de um terço (33,33%) da aeronave.
A propriedade formal do avião era da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., responsável por um terço do modelo. Outro terço pertencia à PrimeYou, empresa da qual Vorcaro foi sócio entre 2021 e setembro de 2025. A participação restante era de Tomaz.
Relações financeiras
No dia seguinte à viagem, Flávio Bolsonaro começou a enviar mensagens para cobrar o repasse de dinheiro aos Estados Unidos. Os valores seriam destinados ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai. A cobrança era feita a Thiago Miranda, que a encaminhava a Vorcaro.
A primeira parcela, de US$ 2 milhões, foi transferida oficialmente em fevereiro de 2025 para o Havengate Development Fund LP. O fundo tinha como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
No mesmo mês, Eduardo Bolsonaro se mudou com a família para a Flórida. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi usada para beneficiá-lo.
A Fraction 024 também mantinha operações financeiras com o Banco Master. Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a empresa transferiu R$ 7,6 milhões ao banco em 36 operações e pagou R$ 6,5 milhões à Prime You.
Tomaz confirmou que tinha um terço da aeronave, mas afirmou que não sabia da relação de Vorcaro com a Prime You. Ele também disse que denunciou o contrato em abril de 2026, após tomar conhecimento de que Vorcaro teria adquirido uma participação no avião, e que está em litígio com a empresa. Tomaz declarou ainda que nunca conheceu Vorcaro nem fez negócios com ele.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foram procurados sobre as acusações, mas não responderam.









