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Pulsa Uniformes recebeu R$ 457 mil de emenda ligada a projeto investigado

Empresa de Mogi das Cruzes tem entre os sócios ex-secretário municipal de Esportes; CGU apontou falta de comprovação integral da execução.

Pulsa Uniformes recebeu R$ 457 mil de emenda ligada a projeto investigado

A Pulsa Uniformes, de Mogi das Cruzes (SP), recebeu R$ 457 mil de uma emenda parlamentar individual indicada pelo deputado federal Mario Frias (PL/SP). A empresa tem entre os sócios Nilo Guimarães, ex-jogador da seleção brasileira de basquete e secretário municipal de Esportes por 12 anos.

O pagamento foi feito pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), dirigido por Karina Gama, para a compra de quimonos, tatames e outros 14 itens destinados ao projeto social Lutando pela Vida, em Pirassununga (SP). A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que “a execução física do projeto não foi integralmente comprovada”.

Pagamento e entrega dos materiais

A Pulsa recebeu o valor à vista. Em julho, porém, informou à CGU que ainda não havia entregue nenhum dos materiais previstos e que os itens estavam em fabricação. O relatório também registra que, em abril, o ICB teria comprado 120 placas de tatame de outro fornecedor por R$ 58 mil, com recursos de outro contrato. O instituto afirmou à CGU que esse material foi entregue ao projeto em maio.

Até o final de julho, o ICB havia gasto R$ 521 mil no projeto. A maior despesa foi o pagamento de R$ 427 mil à Pulsa. Os R$ 94,5 mil restantes foram destinados a instrutores, monitores e outros profissionais envolvidos nas aulas de lutas.

Publicações do projeto no Instagram, feitas em julho, mostram crianças sem quimono em uma academia. Para a CGU, as imagens não comprovam a execução, porque não são georreferenciadas e foram produzidas em um local fechado. A Controladoria também apontou que as planilhas de frequência não tinham a assinatura dos responsáveis pelos menores.

A vigência do Lutando pela Vida começou em 31 de dezembro de 2024 e termina em 28 de agosto de 2027. O projeto prevê aulas de lutas marciais para 500 crianças. Dos R$ 1,5 milhão da emenda de Frias, R$ 1 milhão foi liberado pelo Ministério dos Esportes ao ICB para a iniciativa.

Sócios e outros contratos

Nilo Guimarães ocupou a Secretaria de Esportes de Mogi das Cruzes durante as gestões de Marco Bertaiolli e Marcus Melo. Também presidiu a Liga Nacional de Basquete em 2020 e foi dirigente do Mogi Basquete.

A Pulsa funciona em uma casa de dois andares no bairro Jardim Camila, em Mogi das Cruzes, e vende uniformes de basquete, vôlei, handebol e futsal. Uma gerente informou que Luiz Fernando da Silva, sócio-gestor, seria responsável por falar sobre o contrato com o ICB. “Essa cliente é do Luiz”, disse a funcionária.

Por mensagem, Silva afirmou que os itens tinham sido entregues, mas não confirmou se a entrega havia sido total ou parcial. Depois de ser questionado sobre a data e sobre documentos que comprovassem o fornecimento, ele não respondeu mais. Guimarães também não respondeu ao contato.

A empresa aparece ainda em outros dois projetos financiados por emendas parlamentares e analisados pela CGU entre 2024 e 2025. No Circuito Suzano de Esportes e Lazer, realizado pela Associação Cultural Quântica, recebeu R$ 112.800. No Circuito Cultural e de Lazer, do Instituto Mogiano de Pesquisa, Educação e Cultura, recebeu R$ 2.710. Os dois projetos foram realizados em Suzano (SP), e a Controladoria registrou inconformidades, impropriedades e irregularidades.

Investigação sobre as emendas

A Polícia Federal e a CGU investigam a destinação de emendas indicadas por Mario Frias, Marcos Pollon (PL/MS) e Bia Kicis (PL/DF) para organizações de Karina Gama. O caso está sob relatoria do ministro Flavio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura 10 crimes, entre eles peculato, fraude em licitação, falsificação, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em 10 de setembro, a Polícia Federal realizou a operação Make Up em endereços ligados a Frias e Gama. O celular do deputado foi apreendido. Em 12 de setembro, Dino determinou a quebra do sigilo do material apreendido em investigações sobre um contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de wifi.

Rudyge Alex Scatolini Boldrini, que doou R$ 4 mil à campanha de Frias em 2022, foi contratado pelo projeto em 2026 e recebeu R$ 13,7 mil. Uma monitora era recepcionista contratada pela Prefeitura de Pirassununga.

Frias negou irregularidades após a operação. O advogado Ricardo Sayeg, que defende Karina Gama, afirmou em nota que a produtora nega atos ilícitos e colabora com as autoridades. A defesa também declarou que “investigação não é acusação, muito menos, condenação”.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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