A diferença entre o avanço da produção de grãos e a expansão da armazenagem mantém aberto um déficit de cerca de 135 milhões de toneladas no Brasil. A produção cresce, em média, 12 milhões de toneladas por ano, enquanto a capacidade estática aumenta apenas metade desse volume. Com isso, a defasagem se amplia em aproximadamente 5 milhões a 6 milhões de toneladas anuais, segundo dados da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Esse cenário orienta a estratégia da GSI, fabricante de equipamentos para armazenagem. A empresa passou a concentrar mais esforços em projetos de maior escala para agroindústrias de biocombustíveis, proteína animal, cerealistas e cooperativas, diante da menor disposição dos produtores rurais para investir dentro das fazendas.
Contas comerciais ganham espaço
A operação da GSI é dividida entre as áreas Fazendas e Contas Comerciais. A segunda, que reúne os contratos de maior porte e inclui as agroindústrias, respondeu por mais de 50% do faturamento neste ano. Antes, essa participação ficava em torno de 20%.
Ricardo Marozzin, presidente da Grain & Protein Technologies (GPT) América do Sul, controladora da marca GSI, afirmou que as modernizações de armazéns já instalados também contribuem para o desempenho da companhia. A empresa espera registrar retração nas vendas em 2026, mas em nível inferior ao observado na média do mercado. A queda projetada é de um dígito.
Marozzin disse que a GSI terá uma “ligeira retração” no Brasil. A companhia está entre as três maiores do segmento de armazenagem no país e, conforme o executivo, ocupa a liderança global. Ele não apresentou os números do ano atual, mas declarou que o desempenho da empresa tem sido superior ao registrado no mercado de máquinas e implementos agrícolas.
No setor, Paulo Bertolini, vice-presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos da Abimaq, informou que o faturamento recuou 30% no primeiro semestre. A entidade ainda não possui estimativa para 2026. Bertolini afirmou que os negócios diminuíram principalmente nas fazendas, em meio à crise de crédito no agronegócio.
Investimento rural mais seletivo
Projetos de armazenagem estão parados enquanto produtores aguardam as eleições. Bertolini estimou que os investimentos brasileiros no segmento ficaram entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões em 2025, valor ainda insuficiente para eliminar o déficit apontado pela Abimaq.
Para Marozzin, produtores que já têm estruturas próprias continuam ampliando sua capacidade. Um armazém para 100 mil sacas, por exemplo, pode ser expandido para 150 mil ou 200 mil sacas. Já os projetos de quem ainda não possui armazenagem ficaram menos frequentes.
“O investidor está hiper seletivo e cauteloso, precificando o risco climático e o El Niño”, afirmou o executivo. Segundo ele, esse comportamento reduz a capacidade de investimento, mas não impediu a GSI de avançar em contratos comerciais e em obras de modernização.
A companhia mantém o crescimento orgânico como principal caminho, com investimentos internos, mas não descarta fusões e aquisições. A GPT negociou neste ano uma proposta de fusão com a Kepler Weber, cujo prazo de fechamento expirou depois da aprovação da minuta pelo conselho de administração da empresa.
O Brasil seria o foco de eventuais operações, por concentrar a maior parte das oportunidades para sistemas de pós-colheita na América do Sul. Na Argentina, Marozzin vê aumento das oportunidades após um período de investimentos menores. O Paraguai permanece estável e atrativo para recursos.
Para 2027, o executivo considera possível uma melhora na demanda, caso os preços das commodities agrícolas se recuperem. Na avaliação dele, cotações mais altas poderiam recompor a margem dos produtores e favorecer a retomada dos investimentos.








