Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ampliaram a greve por permanência estudantil, moradia, bolsas e financiamento das instituições. A mobilização começou há mais de um mês na USP e alcançou a Unicamp e diferentes campi da Unesp.
Na próxima quarta-feira (20), estudantes da capital paulista pretendem marchar até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. A manifestação deve cobrar mais investimentos nas universidades e contestar o processo de precarização da educação pública atribuído pelos grevistas à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Impasse na USP
Na USP, o movimento enfrenta um impasse com a reitoria. Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE-USP), afirmou que, mesmo após duas mesas de negociação, as decisões da administração têm sido “bastante unilaterais”.
A tensão aumentou depois da desocupação da reitoria pela Polícia Militar, que levou à detenção de quatro estudantes e deixou feridos no último domingo (10). Chiquitti também disse que os estudantes estão há 15 dias sem comunicado da reitoria.
Na quarta-feira (13), a USP anunciou a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos, após mais de uma centena de docentes declarar apoio à greve. Os estudantes receberam a iniciativa com desconfiança. Também criticam um projeto de lei protocolado por deputados ligados ao MBL que prevê expulsão ou impedimento de matrícula para participantes de ocupações.
Adesão na Unicamp e na Unesp
Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à paralisação. As reivindicações incluem melhorias na moradia estudantil, reajuste das bolsas e oposição à terceirização de serviços como o Restaurante Universitário (RU) e a limpeza. O movimento também cobra um cronograma de concursos e a ampliação imediata das bolsas de auxílio-permanência.
A reitoria informou que as atividades essenciais seguem funcionando e marcou para a próxima segunda-feira (18) uma reunião entre uma comissão da administração e lideranças estudantis. A universidade também anunciou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados em Barão Geraldo, com investimento de R$ 20 milhões, para ampliar a moradia estudantil.
Na Unesp, há paralisações em Bauru, Marília e no Instituto de Artes, na capital. Os estudantes reivindicam mais auxílios diante do custo de vida nas cidades universitárias e questionam cortes orçamentários, infraestrutura e condições de ensino. Em Bauru, a greve atingiu cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) e da Faculdade de Ciências (FC). Em Marília, a mobilização está concentrada na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC).
A universidade informou que destinou em 2026 R$ 110,7 milhões às políticas de permanência estudantil. Em 2025, 7.746 estudantes receberam algum tipo de auxílio, e 17 unidades já tinham restaurantes universitários. Para 2026, o orçamento foi elaborado com déficit de R$ 189 milhões, despesas de R$ 4,98 bilhões e receitas de R$ 4,79 bilhões.
Financiamento das estaduais
As três universidades articulam um calendário comum de mobilização para pressionar o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Os estudantes defendem a revisão do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de financiamento das instituições, para ampliar os investimentos em assistência estudantil.
A Unesp declarou reconhecer o direito de manifestação dos alunos e afirmou que as unidades podem alterar o calendário escolar se as aulas forem prejudicadas. A USP informou que seus posicionamentos estão em notas oficiais e que não faria outra manifestação. Em comunicados, a universidade defendeu a reintegração de posse da reitoria e anunciou uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional.
Na quinta-feira (14), o Cruesp divulgou uma nota em defesa do pluralismo, da diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano.








