A redução da cota de importação de açúcar brasileiro pelos Estados Unidos pode provocar um impacto de US$ 30 milhões nas exportações do Nordeste. A estimativa é de Renato Cunha, presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio) e do Sindaçúcar-PE.
A medida do governo Trump vale para o ano-fiscal de 2027, que começa em outubro, e diminui em 55 mil toneladas o volume destinado ao Brasil. Cunha afirmou que as usinas deverão procurar outros compradores, mas com preços inferiores. “É claro que não vamos perder tudo isso de receita, porque vamos buscar outros destinos, mas não pagam o mesmo preço”, disse.
Desde 2014, os Estados Unidos mantêm uma cota de ao menos 150 mil toneladas para o açúcar brasileiro. Em alguns anos, o país aumentou esse volume por causa de quebras na produção de outros países. Nas safras 2023/24 e 2024/25, as compras americanas superaram 200 mil toneladas.
Efeito sobre as usinas
Para Cunha, a redução do mercado americano para a safra 2026/27 rompe o planejamento estratégico das usinas nordestinas. As empresas iniciam o ciclo produtivo considerando a receita que será obtida com as exportações aos Estados Unidos.
O dirigente também disse que a decisão alcança toda a cadeia sucroalcooleira do Nordeste. O setor reúne cerca de 20 mil fornecedores de cana-de-açúcar, muitos deles de pequeno porte, e emprega em torno de 270 mil trabalhadores.
Ainda não há uma avaliação sobre quanto os países do bloco pagarão pelo açúcar brasileiro. A expectativa é que o mercado europeu ofereça remuneração superior à do mercado global. “Vamos começar a exportar agora”, afirmou Cunha. As usinas do Nordeste iniciam a safra entre agosto e setembro.








