CHORÓ — O PSB no Ceará desfiliou Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto Queiroz, ex-prefeito de Choró. Ele está foragido desde dezembro de 2024 e é apontado pela Polícia Federal como chefe de um esquema que envolveria fraude em licitações, desvio de emendas parlamentares e financiamento ilegal de campanhas.
A expulsão foi formalizada em 18 de agosto deste ano, depois de uma apuração conduzida pelos diretórios municipal e estadual do partido. A Comissão de Ética do PSB no Ceará encaminhou a decisão ao diretório de Choró, que não apresentou manifestação contrária. A sigla municipal é presidida pelo atual prefeito, Paulo George de Sousa Saraiva, o Paulinho.
Processo no partido e situação judicial
A investigação interna começou no diretório municipal, porque Bebeto era a principal liderança do PSB em Choró. O procedimento não avançou nessa instância e passou a ser conduzido pelo diretório estadual. Com a ausência de contestação do diretório municipal, a desfiliação foi oficializada.
Bebeto foi eleito prefeito de Choró nas eleições municipais de 2024, mas não tomou posse. Ele havia sido preso em novembro de 2024 sob suspeita de participação em fraudes relacionadas a contratos de abastecimento de veículos da prefeitura. Foi solto no início de dezembro de 2024, quando terminou o prazo da prisão temporária, mas um novo mandado foi expedido dias depois por outros crimes.
Desde então, o paradeiro do ex-prefeito não foi localizado pelas autoridades. Um mandado emitido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará permanece em aberto e tem validade em todo o país. Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará manteve a decisão em agosto do ano passado, e uma nova eleição foi realizada em Choró no último dia 1º de março.
Em março de 2026, a defesa de Bebeto informou que se manifestaria somente nos autos dos processos.
Suspeitas investigadas pela Polícia Federal
Relatório da Polícia Federal de janeiro de 2026 descreve uma estrutura que teria negociado emendas parlamentares, fraudado licitações de prefeituras e financiado ilegalmente campanhas em municípios do Ceará. As investigações apontam Bebeto e o deputado federal Júnior Mano, do PSB, como líderes do grupo.
Segundo a PF, Bebeto intermediava a destinação de emendas de Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo e negociava uma parcela dos recursos. A taxa cobrada variava entre 12 e 15% da emenda. Empresas com contratos em prefeituras do interior do Ceará seriam usadas para desviar dinheiro, financiar campanhas de aliados e, depois, obter novos contratos nas administrações dos candidatos apoiados.
A Polícia Federal informou que não conseguiu ouvir Bebeto porque ele está foragido, situação que, conforme o relatório, dificulta sua defesa diante das provas reunidas. O documento também cita pelo menos dez empresas suspeitas. Uma análise de 2025 da Controladoria-Geral da União apontou que nove delas receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.
Os investigadores localizaram ainda uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará ligadas ao deputado. Candidatos apoiados pelo grupo teriam vencido em aproximadamente 50 cidades, embora não esteja definido se receberam dinheiro do esquema.
A assessoria jurídica de Júnior Mano declarou que a investigação da Polícia Federal “nada encontrou de relevante contra o deputado” e criticou o vazamento de informações sigilosas.








