A Polícia Federal identificou que os contatos de Daniel Vorcaro com jornalistas fizeram parte da sequência de ações que antecedeu sua tentativa de deixar o Brasil, em 17 de novembro de 2025. O banqueiro foi preso no aeroporto de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes.
A cronologia consta de um documento da PF liberado pelo ministro André Mendonça, por determinação do ministro Edson Fachin. Às 7h41, minutos depois de falar com o então advogado Walfrido Warde, Vorcaro conversou com o jornalista Diego Escosteguy sobre uma reportagem com informações que, segundo os investigadores, teriam sido repassadas pelo próprio banqueiro. Às 11h, recebeu o link da publicação e o encaminhou ao advogado.
A reportagem tratava de um inquérito sigiloso contra o banco Master em tramitação na 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Vorcaro já conhecia a investigação e até o nome do juiz responsável, conforme anotações encontradas no bloco de notas de seu celular. Como não poderia recorrer à Justiça com base em informações obtidas ilegalmente ou por fontes que não poderiam ser identificadas, Warde apresentou uma petição citando a reportagem como origem do conhecimento sobre o caso e pediu acesso ao conteúdo do inquérito.
Na mesma manhã, desde as 6h34, Vorcaro também mantinha contato com Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe adjunto. Às 13h35, recebeu de Belline um link para uma reunião articulada com Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. O encontro terminou às 14h10.
Às 17h24, após rumores no mercado, Vorcaro anunciou que o Master seria comprado por um consórcio liderado pela Fictor Holding, com aporte imediato de R$ 3 bilhões. Ele afirmou que investidores dos Emirados Árabes participariam da operação e que viajaria a Dubai para concluir o negócio. Não havia comunicação formal ao Banco Central, embora Rafael Góis, sócio da Fictor, também tivesse informado a transação.
A PF suspeita que o anúncio tenha criado uma cortina de fumaça para a viagem. Vorcaro foi localizado no aeroporto por volta das 22 horas. No dia seguinte, o Banco Central iniciou a liquidação do Master. Três meses depois, a Fictor pediu recuperação judicial e declarou dívidas de R$ 4,3 bilhões. Góis é acusado de fraudes bancárias.
Os investigadores encontraram ainda uma planilha com pagamento de R$ 2 milhões em nome de Escosteguy. Desde março de 2026, quando as acusações foram divulgadas, o jornalista nega participação. O documento também registra que Vorcaro mantinha contato com vários jornalistas e que havia rumores sobre problemas nos papéis do Master desde 2024. Em fevereiro de 2025, o Banco Central já havia barrado a compra do banco pelo Banco de Brasília.








